APARENTEMENTE
Longe da mais sádica dúvida,
Dependo da soberba devastação,
Ao convocar temerosa ilusão!
Provocando sua inocência,
A tomar consciência!
Com toda a malícia
Deixada translúcida em teu rosto!
A enovelar-se em martírio
Devolvendo tua atenção a mim!
*
ERAS PASSADAS
O que temos a temer se a era das trevas se foi!
Os maiores impérios depois!
A causa mortis aceitou!
Um milagre blasfemo apunhalou!
Não sendo mais que algo estático.
Um grão de areia querendo destacar-se como uma estrela!
Tentando parecer indiferente àqueles pobres pecadores.
Falando da liberdade a voar com os caprichos do vento.
Pensamentos sinuosos, mercenários virtuosos!
Atormentando o arcanjo maledicente!
Para cessar tua voz e deixando-me com fagulhas de inspiração
Fazendo que tu sejas a musa de minha ascensão!
*
PECADO SAGRADO
Você sabe, às vezes é tão triste lutar em campos flamejantes.
Escutando choro de crianças, homens gritando desorientados!
A chuva de sangue congelando seu coração!
E nem todas as chances de vencer esta vil batalha.
Onde as mulheres perdem seus maridos miseravelmente!
Justificam as flores de desesperança que crescem agora nesta terra.
Onde a morte está à espreita de almas desgarradas, todas humilhadas em teu credo.
Numa paisagem onde nasceu o rei soberano, que ao sacrificar-se pela humanidade.
Lacrou as portas do Éden derrubando os muros do purgatório!
*
ACIMA DE TUDO
Sempre é uma perda de tempo!
Sempre se vai ao vento!
Um tanto quanto incerto
Um tolo argumento desperto.
Então, ao entoar um canto magoado.
Então, um pouco desacreditado.
Mostro-nos que já estamos tão cansados!
Que fracassaremos ao tentar não ser crucificados
Mas acima de tudo, não deixaremos que tudo se vá!
Não erraremos sem sonhar em chegar lá!
Esqueçamos os gritos de lamúria
Entreguemos nossos corpos à luxúria!
Porque sem devoção não se conhece a dor
Porque sem compaixão nunca deixaremos para trás o rancor!
Deixando agora a imaginação a nos guiar
Naufragaremos agora em teu olhar!
Contemplando a alvorada que nos abre caminho
Sob as rosas da destruição que nos estão perseguindo!
Tecendo a mortalha do destino devagar
Descendo a mansão dos mortos para a tentação desprezar
Pra ver o bendito fruto concebido sem pecado,
Crendo no novo tempo proclamado!
Semeando a má fé no coração de todos que tiverem coragem
Advento que fará todas as pestes se curarem!
Pra neste momento dizer a todos para reconhecerem!
Que asas do saber deixaram os tolos prevalecerem
Levando deuses profanos ao sagrado altar
Mas, se acima de tudo, se tu no fim me deixar!
O amor de guardiões de pedra tu irás reclamar,
Mas, se acima de tudo, se ainda quiseres acreditar em mim;
A vida toda em paixão irá reinar!
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