NUMA BOA
Saltando do ventre de Shiva
Sangrando em lágrimas reprimidas
Luzes a piscar na noite
Vindo de um conceito longínquo
Temendo acreditar sob o véu da euforia
Naquele momento em que a vi
Pensando ser o efeito daquele encontro
Ou o meu ácido que ainda não havia passado
Carregava o mundo em suas costas
Falava de sua utopia aplicada
Querendo me levar com ela
Para um lugar idealizado
Comandado pela máquina
Onde as notas altas representavam à chave
Ela me deixou entre os delírios e a lógica
Ficando inanimado na fé
Mas mesmo assim
Enquanto eu estiver com ela
Vou ficar numa boa
Estando lúcido
Ou apenas alterado
*
Enganos
Nas entrelinhas estão a se esconder às palavras
Enquanto belas intenções pacificam as mágoas
Deflagrando no contra-senso a percepção ordenada
Diverge em enganos a sua lógica descontrolada
As orações propagam a incredulidade
Num trocadilho estreito fixando a dualidade
Enquanto tenta apoderar-se de todo o conhecimento
Despedassa-se em arrependimento
Uma idéia insistente a instigar contradições
Enquanto me afasto de algumas presunções
Em um fluxo multifacetado convergem todos os vícios
Descarta toda a humanidade entre seus ofícios
*
Ambição
Mas pra que repetir a mentira que nunca foi contada um dia.
Num sorriso mesclado a inquietude degradada em teu refúgio
Atrás de fatos estigmatizados numa poça de sangue que transforma aquela noite tranqüila num maldito e perturbador suicídio de uma coletividade apática tentando se esquivar da sombra de sua pragmática
Falsidade não remediada por seus atos reportando novamente aquele teu problema com autoridade
E uma figura pitoresca aponta uma direção carismática
Então estaremos aqui para sentir a vida que escorre no teu rosto
E nada que importa é realmente agradável.
A mais imperceptiva tentativa de se equivocar e que provem assas a teu pensar
E todos que parecem saber o que querem nunca se sentiram acuados, nem ao menos em um minuto, tão preocupados
Com suas ambições e esqueceram de se descobrir
Lamentando toda a insignificância de tuas vidas
Agradecendo a nosso senhor por tuas misérias
E destacando em suas lápides entoará o seguinte discurso:
“lamento que a minha vida em um trago se foi, pois não contemplei a luz dos meus dias
E agora são os vermes que me acompanham
aqueles que se satisfazem com toda a glória que almejei”




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