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Escrito Por Paulo Renato C. Rico

Aqui embaixo da linha do Equador
Olhando para Portugal, eu choro
Portugal meu pai, por favor…Já não lembras de minha mãe, minha Pátria?
Quando tu espalhavas teus gametas pelo mundo à fora
Gerando filhos por todo o globo
Os quatros cantos da terra de então
Teus cromossomos em caravelas
Tua ambição em ter mais e mais e mais
Mulheres, ouro, terras, escravos e reputação
Minha mãe, abriu as praias para seus gracejos
E tu meu pai, entrou voluntariamente
Carregando armas, espadas, morte e nobreza
Não se lembra, meu Pai, do prazer, do horror, do êxtase?
Quando minha mãe, já cansada e quase exausta
Quis tua proteçao, deixou-a a merce de revolucionários
Mas, isso já não me importa, meu Pai…
Sendo mais velho, tú sabias o que estava fazendo
Não importa as chacinas e a exploração ingrata
Isso é irreparável
Eu e meus irmãos, ainda estamos aqui, filhos legítimos
Essa minhas palavras escritas na língua imposta
Essa é minha prova de que tú Portugal, é meu Pai
Até quando Pai, deixará de visitar esta casa
Hoje que tú estás velho e sem força
Lentamente se entrega aos cuidados de outros
União e Tratados, te acorrentam
Até que outra grande guerra venha
E abale tua nobre casa
Quando isso passar meu pai
Lembrar-se-á de nós em teus fados e enfados
Vou deixar uma vela acesa na varanda, meu Pai
Para que quando esteja escuro em tua volta
Possa encontrá-la em nossa casa.



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