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Caminhado e cantando e seguindo a canção…. para não dizer que não falei de flores, ou melhor para não dizerem por aí que este blog vive é de explorar o esforço criativo alheio exponho para vocês( eu vivo na utopia de ter web leitores)um fruto mais cálido do meu ócio criativo o soneto-mutante Dádiva:
Hão de consumar a falácia em fetiche!
Seres que enlaçam moralmente os seus amavios
Pois desatina-me em silhueta a sandice
Avidamente á cozer em brasa arrepios!
No que Eros lhe convém, glutonaria e sevícia
Rosados pomos a abrigar com gentileza
Um sereno mirante em sáfara vereda
Vassalo epiceno ao gozo e a carícia!
Em seus dotes a tentação se torna cálida
Verte-se em compulsão sua tara esfaimada!
Como se minaz fosse à sombra do zelo
Ao êxtase que os arrebata mais belo
Assim plena a devassidão é deslumbrada!
Furtiva e imoral como usufruída dádiva
E finalizando os trabalhos dessa semana, exponho aqui alguns poemas de um brasileiro que através de suas Oficinas Literárias abriu-me o campo das idéias em poesia,o carioca Carlito Azevedo
*
Na noite física
(desentranhado de um poema de Charles Peixoto)
A luz do quarto apagada,
na escuridão se destaca
a insônia que nos atraca,
dois gêmeos na bolsa d’água.
Ao despertar levo as marcas
que de noite rabiscavas
em minha pele com a sarna
ávida de tua raiva?
E em você a cega trama
algum mal pôde? ou maltrata
ainda, que penetrava
concha, espádua, gargalhada?
E, em nosso rosto essa raiva
aberta? que estranha lava
é essa que, rubra (baba
de algum diabo), se espalha?
A luz do quarto apagada,
na escuridão se destaca
a fúria que nos atraca,
dois gêmeos na bolsa d’água.
*
BANHISTA
Apenas
em frente
ao mar
um dia de verão -
quando tua voz
acesa percorresse,
consumindo-o,
o pavio de um verso
até sua última
sílaba inflamável -
quando o súbito
atrito de um nome
em tua memória te
incendiasse os cabelos -
(e sobre tua pele
de fogo a
brisa fizesse
rasgaduras
de água)
[Do livro: as banhistas, Carlito Azevedo, Editora Imago]
*
RÓI
Rói qualquer possibilidade de sono
essa minimalíssima música
de cupins esboroando
tacos sob a cama
imagino a rede de canais
que a perquirição predatória
possa ter riscado
pelo madeirame apodrecido
se aguço o ouvido
capto súbito
o mundo dos vermes
[Do livro: collapsus linguae, Carlito Azevedo, Editora Lynx]
*
Menino
A pérola
fria
o topázio
quente
dividiam seu
rosto ao meio:
olhos de gato,
olhar de gamo
Do livro: as banhistas, Carlito Azevedo, Editora Imago.
*
ESTRAGADO
No jardim zoológico
um ganso
as patas afundam na lama
e ele imperial
como uma macieira em flor
mas está estragado
como qualquer um pode ver
estragado
pensa que foi para isso
que o resgataram do dilúvio
mas não
resgataram o signo
estragaram o ganso
[Do livro: collapsus linguae, Carlito Azevedo, Editora Lynx]




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