
"Charles August Mengin- retrata Safo no leito de morte(1867)"
“a morte não é um bem
os própios deuses o sabem
eles preferiram viver”
( Safo de Lesbos )
Se com agre vinho saúdam corjas;
Que evocam em tua lânguida postura,
Pelos desprazeres de vã ternura:
A lírica do teu calvário em rosas!
Que sejas, ó Safo, para ti alento,
O fremir dos teus excertos fecundos!
No anuviar dos transbordos entre mundos,
Guarda em teu seio, eficacíssimo ungüento!
Vislumbro-a, ó Safo, como alma cerviz,
Que enfadou dos deuses em tolo matiz,
E agora, na íris, foco-te em ardor!
Que conspiraria: todo o Olimpo à favor,
Vestir mortalidade! Se emanar:
Por Lesbos, nos lábios ao aconchegar!



4 comentários
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dezembro 9, 2008 às 10:53 pm
Rafael Coelhoo'Clock
Caro Fabio,
Sei sim o que é uma Coroa de Sonetos.
Basta definir o soneto “chave” (vamos dizer assim), que acho que seria melhor se ele fosse de outro poeta e tal…
Aí eu faço o primeiro, você o segundo, eu o terceiro e assim vai.
Depois a gente brinca com algo mais sério. Por enquanto algo só pra começar.
Acredite, escrever os 7 sonetos cada um de nós não vai ser nada fácil… ehhehehe
Acho mais fácil em decassílabos… agora se quiser bem clássico mesmo mantemos o esquema em heróico e sáfico.
Qualquer coisa tamos aí…
É, já faz um tempinho que ando pirando em sonetos…
Um cara que tem belos textos (até didáticos) é o Glauco Mattoso… Dá uma procurada nele.
Tem uma coroa do Geir Campos, não achei na net… infelizmente. Essa é legal.
Tem umas coroas num site de poetas portugueses. Mas a maioria é bem sofrível, com temática camoniana até (os mares, a Trapobana). hehehe.
Mas vale a pena pra pegar o modelo de versificação (tônicas vs. átonas).
Um abço meu caro
obs. Sim, acabei de usar a ferramentasinha…
dezembro 9, 2008 às 11:36 pm
Rafael Coelhoo'Clock
É… depois eu posto mais sonetos meus. Você vai ver que faço o classicão mesmo. Vc deu uma vairada nos padrões nessa soneto. Vejamos:
Se /com /a/gre /VI/nho/ sa/Ú/dam /cor (acento na 5a. e na 7a.)
Que e/VO/cam/ em/ tua/ LÂN/gui/da/ pos/tu (HERÓICO)
Pe/los / des/pra/ZE/res /de/ VÃ / ter/nu (acento na 5a. e na 7a.)
A /LÍ/ri/ca /do/ teu/ cal/VÁ/rio em/ ro (acento na na 2a. e na 8a.)
Que/ SE/jas,/ ó /SA/fo,/ pa/ra /ti a/len/to, (Heróico)
O /fre/MIR/ dos/ teus /ex/CER/tos /fe/cun (acento na 3a. e na 7a.)
No a/nu/VIAR/ dos/ trans/BOR/dos/ en/tre/ mun (Heróico agalopado)
Guar/da em/ teu /seio,/ e/fi/ca/CÍ/ssi/mo un/güe (11s.?)
Vis/lum/bro-a,/ ó /SA/fo, /co/mo al/ma /cer (acento na 5a e na 7a.)
Que en/fa/DOU /dos /DEU/ses/em/ to/lo/ ma/tiz, (acento na 3. e na 5a.)
E a/GO/ra,/ na/ Í/ris,/ fo/co-/te em /ar (acento na 2a. e na 5a.)
Que/ cons/pi/ra/RIA:/ to/do o O/LIM/po à/ fa/vor, (acento na 5a. e na 7a.)
De /ves/TIR /mor/ta/li/DA/de! /Se e/ma/nar: (11s.?)
Por/ Le/bos,/ nos /seus /lá/bios / ao a/con/che/gar! (11s?)
Os esquemas clássicos são os seguintes:
(1) Heróico=> 2a. e 6a (e 10a. claro). (o Lusíadas é quase inteiro assim)
ex. coBRIU, descobriRÁ, descobriRÁ
(2) Martelo (ou heróico agalopado) => a diferença é que vai pra 3a.:
ex. galoPOU, galoPOU, galopaRÁ
(3) Sáfico => na 4a. e na 8a.:
ex. descobriRÁ, descobriRÁ, coBRIU.
O que vc mais usou (acento na 5a. e na 7a.) é totalmente moderno. Pra voc~e ter uma idéia não foi usado nem pelos clássicos, nem pelos barrocos, nem pelos árcades, nem pelos parnasianos e nem pelos simbolistas (todos grandes sonetistas…).
O negócio parece difícil mas na verdade vc pega o jeito rápido e qdo v~e o soneto sai inteirinho.
Usando os esquemas clássicos os sonetos ficam “menos enrolados”. Vamos dizer assim…
Fico esperando a resposta.
Podemos subistituir tb pelo dodecassílabo (aí o modelo é parnasiano).
Um verdadeiro posto, ein.
Um abço.
dezembro 25, 2008 às 11:46 pm
Fabio R.
Uso o “soneto” ainda como forma de exercer a técnica,nesse caso reescrevi os versos inúmeras vezes para encaixar o clima que a imagem de Safo(fragmentos de poemas) me provocou, também fiz uma rápida pesquisa bibliográfica e sobre citação dela na obra poética afora(Baudelaire, Haroldo de campos etc.), no fim isso acabou superando o desejo de esmero técnico(que estava comigo após as leituras de tratados e tratados de versificação em língua portuguesa). Bem, futuramente eu ia postar alguma coisa sobre meus estudos da técnica do soneto desde Petraca e Dante até “o soneto em versos brancos”.Muito disso você já simplificou Coelho.
baseado nessa sua “curta aula” fiz uma peuqna correção em versos(que não perderiam a essencia original) ao meu ver:
13-Vestir mortalidade! Se emanar:
14-Por Lebos,nos lábios a aconchegar
não vi ainda uma alternativa para o 8º(guarda em teu seio…) sem modificar a minha intenção de encaixar o uso da palavra “seio” que não prejudique a referência ambigua que quis colocar(seio= intima essencia-líríca, as referencias fisícas)
A acentuação era inicialmente para comportar linhas do verso o sáfico e variar com outra acentuação mais livre…..
dezembro 10, 2008 às 4:47 pm
Rafael Coelhoo'Clock
Depois fiquei pensando e a gente pode usar algum esquema não-clássico, mas acho legal a regularidade (dá mais fluir aos sonetos – ainda se tratando de 15…). Podia ser um esquema “moderno”.
Mas tb podia ser todo em “sáfico” (dificílimo) falando sobre Safo…
Enfim… uma coisa mais “fractal”.
Um abço
obs. não desencana, ãhn! estou aberto pra qualquer tipo de proposta o importante é o trabalho em conjunto (coisa que dizem que é raro hj em dia, pois cada um fica trancado no seu mundinho).