Boca de lobo…poesia marginal

boca

Disfarçando o tédio a embriaguez
Abandonou-me ainda golpeado por aquela dose
Ansiosamente á flertar, distraindo-me com o decote
O âmago á se satisfazer não importando o leito

O bolso vazio após o gozo trazendo de volta a chateação
Entre o cimento, o solado se consome
Provocando a queda, o estalo e o escárnio
Meticulosamente pela boca de lobo se esvaíra a compostura
Regurgitando no calçamento uma carcaça desabitada

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Poemas de Charles Bukowski

Poema nos meus 43 anos

Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.

… de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi…

e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.

fonte:http://www.germinaliteratura.com.br/bukowskipoemas.htm

Poem for my 43rd birthday

To end up alone
in a tomb of a room
without cigarettes

or wine —
just a lightbulb
and a potbelly,
gray-haired,
and glad to have
the room.

… in the morning
they’re out there
making money:
judges, carpenters,
plumbers, doctors,
newsboys, policemen,
barbers, carwashers,
dentists, florists,
waitresses, cooks,
cabdrivers…

and you turn over
to your left side
to get the sun
on your back
and out
of your eyes.
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Old Man death in a room

Quando minhas mãos pálidas
deixarem cair a última caneta
em um quarto barato
eles vão me achar lá
e nunca saberão
meu nome
minha intensão
nem o valor de minha fuga

Soirée

Minha garrafa fica no armário
como uma anão esperando para ferir minhas preces
bebo e tusso em uma sinfonia
há luz do sol e aves enlouquecidas em todo lugar
o telefone toca derramando seus sons
pelos confins do mar revolto
bebo intensa e calmamente agora
bebo ao paraíso
e a morte
e a mentira do amor