Liturgia e nicotina


Nicotina

Inspirando solidão ela veio até mim

Tocou meus lábios com sua carência


Abaixei minha cabeça para que pudesse aceitá-la

Ela se desfez em meu jogo, como uma canção no éter


Não percebi sua intenção até que disparasse o estopim

Comutando na respiração ela corria com displicência


Fazendo discursos sóbrios enquanto a loucura queimava

Toda minha jovialidade condensada em um cateter

Enquanto expiro nicotina, sete palmos em uma vala

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diaba-liturgiaLiturgia

Em nome da corrupção, da cobiça e do adultério.

Saúdo o homem! Em sua megalomania, criador de Deus.

Alcovitando libertinagem na mais casta de suas orações

Afinal todos se preocupam com a remissão dos pecados seus

Mas como se saciam de devaneios, hipóteses ou invenções.

Empeçonham o pão, o vinho e até os ossos.

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