AMANHÃ EU SEREI LIVRE

Bem, eu estava mal na noite passada,
Estava sob os efeitos do álcool,
Entretanto, parecia estar tudo bem e perfeito,
Até alguém começar a falar em meus ouvidos.
Afastei-me e disse: “cale a boca!”
Estava completamente indiferente,
Saí pela porta principal.
Acho que, às vezes, posso me embriagar,
Ando mesmo sozinho neste chão feito de lixo,
Não me importo com nada,
Mas, não me venha fazer sentir-me um inútil,
Tenho muitas cartas nas mangas,
Não tente se esconder, fingindo que não me conhece.
Lá estava eu, aos trancos e barrancos,
Quando algo bateu em minha cabeça,
Fui correndo me esconder,
Mas, tive que enfrentar os inimigos,
Custou-me muitos anos de minha vida,
Para me encontrar novamente.
Bem, faz muito tempo que o telefone não toca,
Nem mesmo meus amigos se lembram que existo,
O que é preciso para esse mundo crescer?
Talvez, alguns artistas com poucas roupas na tv,
Acho que faria o povo feliz,
Nem Juscelino conseguiria fazê-lo.
Tenho milhares de opções para escolher,
Mas, quase nada me serve,
Aquela mulher da novela grita e berra feito deprimente,
Chuta a cama e xinga os vizinhos,
Ela é tão arrogante.
Cercada de homens, ela os devora feito um demônio.
Oh, não tenho tempo nem para dormir,
Não preciso nem mesmo arrumar a cama,
Somos todos cegamente hipócritas demais.
Trabalho dia e noite sem parar,
Minhas roupas estão grudadas no corpo e
Na hora do café, escrevo algumas cartas,
Mando todas no dia seguinte.
Perdido num dia no meio da semana,
Estou quase morrendo,
Meus olhos não conseguem ficarem abertos,
Tento arrumar um canto para dormir e
Durante o sono parecia estar tendo um ataque de nervos
Acordei no meio da grande multidão,
Num dia gelado de outono.
Logo mais à frente,
Um candidato às eleições faz seu discurso num pequeno palanque,
Ele quer meu voto,
Mas, está nervoso demais por causa de seu envolvimento na corrupção.
Muitas demagogias soam em meus ouvidos,
Coitado daquele povo infeliz,
Ele está comendo pizza,
Enquanto eu como o que restou do almoço de ontem.
Bem, estou farto desses discursos,
Nem mesmo os jornais parecem ter o que noticiar,
Aquele jogador de futebol que você tanto gosta,
Não faz sequer mais um gol,
O que há para fazer?
Abro outra garrafa de whisky e parece feito para crianças,
O que eu quero saber ninguém responde,
Não pretendo ser um herói como Martin Luther King.
Há muito tempo tento encontrar alguma coisa engraçada,
Mas, eu já vi tudo e
Aquela moça rica que toma dezenas de banhos por dia
Fede mais do que um porco na lama.
E aquele playboyzinho que abandonou à escola
Para ficar com as garotinhas do bairro,
Ele é tão estúpido!
Enfim, não é preciso responder porque ando bêbado a todo momento,
Parece um absurdo, mas, na maioria das vezes o álcool me acalma,
Eu apenas tento fazer de meus dias o melhor possível,
Enquanto caminho lento para aquilo que acredito.
Disseram que Elizabeth Taylor era uma sonhadora,
No entanto, aqui a televisão faz o inferno em você,
Acreditando ser de um partido trabalhista.
( Paulo Renato C. Rico )
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Mary Jane

Queria afinar o som do tímpano do ouvido
Para ouvir o som da palavra antes de ser palavra
Queria tocar as cordas vocais no tom das idéias
Sinfonia na mente ainda virgem e impensada

Dar liberdade ao diafrágma do peito
Que apoia o coração encarceirado
Fazer uma melodia de desejos
Tão íntimos como lágrimas pingando em um riacho

Queria tocar no Céu da boca, morena
Tirar da estrela dourada o brilho
E dar-te numa bandeija de prata
todos os planetas de um universo inventado

Queria morrer contigo todas as manhãs
E recussitar nas noites de fogo
Roubar o espelho do Narciso, o Colosso
Para refletir sua alma em meu corpo.

E a fumaça do cigarro que mastigo
Formam núvens como as curvas de mulher
Entre os lençóis da cama te consumo
Enquanto faço das estrelas o quê você quizer

Ivan Santos

Mais um aniversário da vegonha do holocausto

01/05/2008 – 09h19-Folha Online

Estudantes brasileiros participam de marcha que lembra Holocausto

MARIANA CAMPOS
da Folha Online

Milhares de pessoas devem refazer, nesta quinta-feira, o mesmo percurso feito por vítimas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) entre o campo de concentração de Auschwitz e o campo de extermínio de Birkenau. Esta é a idéia da Marcha da Vida [idealizada por um sobrevivente para lembrar as vítimas do Holocausto] que, em 2008, completa 20 anos.

Neste ano –em que também serão comemorados os 60 anos da criação de Estado de Israel–, o evento dará origem a um livro-fotográfico e a um documentário. Cerca de 400 brasileiros participarão da marcha e, destes, 200 são jovens interessados em conhecer a história do Holocausto.

Uma delas é a estudante brasileira Joelle Hallak, 17, que embarcou para a Polônia ao lado de colegas da escola judaica em que estuda em São Paulo. “Estou ansiosa. Conheço bastante da história porque a escola nos ensina, mas ver as coisas de perto deve ser bem diferente”, afirmou Hallak à Folha Online na última sexta-feira (25), dias antes de embarcar para a Polônia.

A marcha ocorre anualmente em Iom Hashoá ), neste ano comemorado no dia 1º de maio. O evento faz parte de um programa educacional que tem como objetivo fazer com jovens judeus conheçam mais da história de seu povo, visitando os locais onde a vida comunitária judaica acontecia antes da Segunda Guerra, assim como campos de concentração e extermínio na Polônia ocupada.

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Com bandeiras de Israel, participantes da marcha passam pelo portão de Auschwitz

A primeira etapa da viagem de aproximadamente 15 dias –que neste ano será realizada entre os dias 28 de abril e 11 de maio– acontece na Polônia, onde os participantes visitam campos de concentração e extermínio usados durante o regime nazista.

A segunda etapa acontece em Israel, onde os participantes comemoram o Iom Hazicaron (Dia da Lembrança, em que são lembrados os soldados que morreram nas guerras em defesa de Israel) e o Iom Haatzmaut (Dia da Independência).

“Sei que vamos visitar crematórios, câmaras de gás e ver objetos que pertenceram aos judeus mortos na Segunda Guerra”, diz Hallak, que afirmou ter conversado com pessoas que já participaram da marcha na tentativa de amenizar a ansiedade.

Choque

A estudante de direito Caroline Lerner Castro, 18, é uma das brasileiras que já participou da marcha. Ela fez a viagem no ano passado. “Pensei que era importante, mas não sabia que veria o que vi”, disse. “Quando falamos sobre o Holocausto, as pessoas sabem o que e como aconteceu, mas ver é totalmente diferente”.

Segundo ela, visitar os campos de concentração e de extermínio foi surpreendente e chocante. “Havia um campo de extermínio chamado Majdanek, que não foi destruído pelos alemães no final da guerra. Foi chocante. Entramos na câmara de gás, fomos ao crematório, vimos os fornos. Foi horrível”, disse.

“Em Auschwitz tinha as malas das pessoas, uma pilha com cabelos, óculos. Em Majdanek tinha uma sala só com os sapatos usados pelas vítimas”, afirmou a estudante judia.

Castro disse ainda que chorou em vários momentos da viagem –em especial quando viu as cinzas das vítimas. Para ela a marcha foi uma experiência “emocionante”. Segundo a estudante, as pessoas fazem o percurso de 3 km entre Auschwitz e Birkenau à pé, cantando, carregando bandeiras e divididas em delegações dos países que estão participando.

Segundo a estudante, a viagem serviu para que suas raízes ficassem mais fortes. Ela sempre estudou em escola judaica e, neste ano, resolveu fazer o Pessach (Páscoa judaica), em que há alimentos obrigatórios e outros que não podem ser consumidos. “Você vê o que as pessoas passaram e agradece por ter sobrevivido”.

Livro e documentário

As histórias de sobreviventes do Holocausto e da Marcha da Vida serão, neste ano, registradas em um documentário e em um livro-fotográfico idealizados pelo publicitário brasileiro Márcio Pitliuk.

“No ano passado, pensei em ir [à Marcha da Vida]. Mas, quando decidi, estava muito em cima da hora. Aí pensei: em vez de ir simplesmente, já que trabalho com comunicação, vou registrar a marcha”, disse Pitliuk, que é judeu, à Folha Online.

Ele entrou, então, em contato com a organização mundial da Marcha da Vida –da qual participam cerca de 40 países–, pedindo autorização para registrar o evento, e descobriu que nesses 20 anos, ninguém nunca fez algo semelhante.

Com a obtenção da autorização, ele começou a organizar o projeto, que tem custo estimado de R$ 3 milhões. Segundo Pitliuk, o livro-fotográfico terá 200 páginas e será escrito em cinco línguas (inglês, português, francês, espanhol e hebraico). As fotos serão feitas pelo fotógrafo Márcio Scavone e o texto será do próprio Pitliuk.

Já o documentário terá aproximadamente uma hora e meia de duração e será dirigido pela americana Jéssica Sanders, indicada ao Oscar documentário em 2006.

História

Conhecido como um dos piores extermínios da história, o Holocausto –termo utilizado para descrever a tentativa nazista de exterminar os judeus durante na Europa nazista– teve seu fim anunciado no dia 27 de janeiro de 1945.

Convencionalmente, ele é dividido em dois períodos: antes e depois de 1941. No primeiro período, várias medidas anti-semitas foram tomadas na Alemanha e, depois, na Áustria. No segundo período, as medidas se espalharam por toda a Europa ocupada pelo regime nazista.

Durante o Holocausto, aproximadamente 6 milhões de judeus morreram. Só nos campos de Auschwitz e Birkenau, localizados em Oswiecim (sul da Polônia), morreram entre 1,1 e 1,5 milhão de pessoas, em sua maioria judeus. As vítimas morriam de fome, doenças ou eram exterminadas em câmaras de gás.

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Créditos:Folha online(Jornal Folha de São Paulo)

Suástica(crônica de Charles Bukowski)

Mais uma Crônica por Charles Bukowski

O presidente dos Estados Unidos entrou em seu carro, cercado por agentes de segurança. Sentou no banco traseiro. A manhã estava sombria, sem nada de especial. Ninguém dizia nada. O carro saiu rodando e podeia-se ouvir o ruído dos pneus deslizando no asfalto ainda úmido da chuva da noite anterior. O silêncio reinante era mais insólito do que nunca.

Depois de certo tempo, o presidente falou:

-Escutem este não é o caminho do aeroporto.

Os agentes não abriram à boca. Estavam programadas umas férias. Duas semanas em sua residência particular. O avião dele aguardava no aeroporto.

Começou a chuviscar. Parecia que a chuva ia recomeçar. Todos, inclusive o presidente, estavam com sobretudos grossos; chapéu; deixava o carro com ar de lotado. Do lado de fora, o vento frio não diminuía.

-Motorista – disse o presidente – acho que você se enganou de caminho.

O motorista não respondeu. Os outros agentes continuaram olhando fixamente para frente.

-Ouçam-disse o presidente-alguém pode me fazer o favor de indicar a esse homem o caminho do aeroporto?

-Não estamos indo pra lá – retrucou o agente á esquerda do presidente.

-Não estamos?-estranhou o presidente.

Os agentes, mais uma vez, se conservaram calados. A garoa transformou-se em chuva. O motorista acionou os limpadores de pára-brisa.

-Escutem o que significa isto?-perguntou o presidente-O que é que está acontecendo?

-Faz semanas que vem chovendo sem parar-disse o agente ao lado do motorista. -É deprimente. Não resta dúvida de que vou gostar muito de ver um pouco de sol.

-é, eu também – disse o motorista.

-tem qualquer coisa errada aqui – insistiu o presidente-, eu exijo…

-O senhor não está em posição de exigir –atalhou o agente á direita do presidene

-Quer dizer que…?

-Exatamente-respondeu o mesmo agente.

-Vai ser um assassinato?-perguntou o presidente.

-Acho difícil. Não se usa mais.

-Então o que…

-Por favor. Recebi ordens para não discutir nada.

Rodaram durante horas. Continuava chovendo. Ninguém abria a boca.

-Agora – disse o agente á esquerda do presidente -, dá a volta de novo, depois entra. Não estamos sendo seguidos. A chuva ajudou muito.

O carro contornou o retorno, depois subiu por uma estradinha cheia de barro. De vez em quando as rodas ficavam girando na lama sem sair do lugar, resvalando, para depois se firmarem e o carro seguir andando. Um homem de impermeável amarelo acendeu a lanterna e orientou até a entrada de uma garagem aberta. Era uma região isolada por arvoredo. Tinha uma pequena casa de campo ao lado da garagem. Os agentes abriram as portas do carro.

-Desça-ordenaram ao presidente.

O presidente obedeceu. Os agentes continuaram cercando atentamente o presidente, embora não houvesse nenhuma criatura viva a quilômetros de distância, a não ser o homem da lanterna e impermeável amarelo.

-Não entendo por que não se podia ter feito a historia toda aqui mesmo – disse o homem do impermeável amarelo-, do outro jeito certamente é muito mais arriscado.

-São ordens – retrucou um dos agentes. -Sabe como é que é. Ele sempre se fiou muito na intuição. Como agora, mais do que nunca.

-Está fazendo um frio de rachar. Tem tempo pra uma xícara de café?Já está pronto.

-Boa idéia. O percurso foi longo. Imagino que o outro carro esteja preparado?

-Claro. E testado várias vezes. Aliás, estamos adiantados dez minutos pelo cronograma. Foi uma das razoes que me levou a sugerir o café. Sabe como ele é em matéria de pontualidade.

-Tá certo, então vamos entrar.

Conservando atentamente o presidente no meio, entraram na casa de campo.

-Sente-se ali-um dos agentes ordenou ao presidente.

_o café é gostoso-disse o homem do impermeável amarelo-,moído na hora.

Foi passando o bule pela sala toda. Serviu-se de uma xícara e depois sentou, sempre de impermeável amarelo, mas tendo jogado o capacete em cima do fogão.

-Ah, está gostoso mesmo-disse um dos agentes.

-Com leite e açúcar?-perguntou um dos agentes ao presidente.

-Está bem-concordou…

Não havia muito lugar no carro velho, mas todos deram jeito de entrar, com o presidente de novo no banco traseiro…

O carro velho também resvalou na lama e nas raízes das arvores, mas conseguiu chegar na pista asfaltada.Mas uma vez, a jornada foi silenciosa durante a maior parte tempo.Aí um dos agentes acendeu no cigarro.

-Merda,não consigo parar de fumar!

-Ué,quem é que não sabe que é difícil?Não se preocupe com isso.

-Não estou preocupado.Só chateado comigo mesmo.

-Ora,deixa isso pra lá.Hoje é um grande dia histórico.

-Concordo plenamente! –disse o do cigarro.

E então deu uma tragada…

Pararam na frente de uma velha casa de cômodos.Continuava chovendo.Ficaram ali sentados durante algum tempo.

-Agora-disse o agente ao lado do motorista-,desçam junto com ele.O caminho está livre.Não tem ninguém na rua.

Saíram andando junto como o presidente, primeiro entrando pela porta da frente, depois subindo 3 lances de escada,sempre mantendo o presidente no meio.Pararam e bateram no 306.A senha:uma pancada,pausa 3 pancadas,pausas, e 2 pancadas…

A porta se abriu e os homens empurraram rapidamente o presidente pra dentro.Depois fecharam á chave e passaram a tranca.Três homens já estavam á espera. Dois deviam ter mais de 50.O terceiro usava um traje que consistia numa camisa velha de operário, calça de segunda mão,folgada demais, e sapatos de 10 dólares, já gastos e sem brilho.Estava sentando numa cadeira de balanço no meio da sala.Devia andar pelos 60, mas sorria…e os olhos não tinham mudado;o nariz,o queixo, a testa,continuavam iguais.

-Seja bem vindo senhor presidente.esperei muito tempo pela História,pela Ciência e por Vossa Excelência, e todos chegaram hoje,pontualmente na hora marcada…

O presidente olhou para o velho na cadeira de balanço.

-Santo Deus!Você…você é…

-Me reconheceu!Outros cidadãos de seu país já fizeram troça semelhança!Burros demais para sequer se der conta de que eu era…

-Mas ficou provado que…

-Claro que ficou.Os abrigos á prova de balas:30 de abril de 1945.Queríamos que fosse assim.Tenho sido paciente.A Ciência estava do nosso lado, mas as vezes precisei acelerar um pouco a História.Queríamos o homem certo.O senhor é esse homem.Os outros eram simplesmente impraticáveis-alienados demais da minha filosofia política…O senhor é muito mais ideal.Trabalhando por seu intermédio há de facilitar tudo.Mas.como ia dizendo,precisei acelerar um pouco as engrenagens da História.. na idade em que estou me vi forçado…

-Quer dizer…?

-Sim .Mandei assassinar o seu presidente Kennedy, e depois o irmão…

-Mas o que pretendem fazer comigo?Já soube que não serei assassinado.

-Permita que lhe apresente os drs Graf e Voelker?

Os dois homens acenaram com a cabeça e sorriram.

-Mas o que vai acontecer?-=insistiu o presidente.

-Por favor.Só um instante.Preciso interrogar meus homens.Karl, como é que foi com o Sósia?

-Perfeito.Telefonamos daqui do sítio.O Sósia chegou ao aeroporto na hora marcada.E declarou que, em virtude do mau tempo, o vôo seria transferido para amanhã.Depois disse que ia dar um passeio…que gostava muito de andar de carro na chuva…

-E quanto ao resto?

-O sósia está morto.

-ótimo.então, mãos a obra.A História e a Ciência chegaram na Hora.

Os agentes começaram a encaminhar o presidente para uma das mesas de cirurgia.Pediram-lhe que tirasse a roupa.O velho se dirigiu par outra mesa.Os drs vestiram os aventais e se preparam pra a operação…

Dos dois homens, o que apresentava menos idade levantou-se de uma das mesas de cirurgia,vestiu as roupas do presidente e depois foi-se parar diante do espelho grande na parede dos fundos.Ficou ali se analisando uns bons 5 minutos.Aí então virou-se.

-è um verdadeiro milagre!Nem sequer uma cicatriz da operação…ou fase de recuperação.Parebens cavalheiros!Como foi possível?

-Bem, Adolph-respondeu um dos médicos-, a medicina progrediu muito desde…

-PARE! nunca mais quero ser chamado de “Adolph!” ..até o momento em que eu avisar !Até lá…ninguém vai falar em alemão..Agora sou o presidente dos Estados Unidos!

 

-Sim senhor presidente!

Aí levantou a mão e tocou em cima do lábio superior:

-Mas sinto falta do velho bigode!

Todos sorriram.

Depois perguntou:

-E o velho?

-Já o colocamos na cama, Só irá acordar dentro de 24 horas.Neste momento…tudo…todos os acessórios da operação já foram destruídos,eliminados.Só falta ir embora daqui.-disse o dr Graf-.Mas senhor presidente sou da opinião que esse homem deve…

-Não,fique tranqüilo, ele não pode fazer mais nada!Que sofra o que eu também sofri!

Aproximou-se da cama e contemplou o homem.Um velho de cabelo branco de mais de 80 anos de idade.

-amanha estarei em sua residência particular.Será que a mulher dele vai gostar de mim na cama?-perguntou com uma risadinha.

-Tenho certeza mein Fuhrer-Desculpe tenho certeza sendo presidente de que irá gostar muito.

-Então vamos embora.Os médicos primeiro,pra irem pra onde devem ir.Depois o resto…um ou mais dois de cada vez…uma troca de carros, e por fim uma noite bem dormida na Casa Branca.

O velho de cabelos branco acordou estava sozinho na sala.Podia fugir.Saltou da cama á procura de roupa e ao atravessar a peça enxergou um ancião no espelho do outro lado da parede.

Não pensou,ah meu Deus na!

Levantou o braço o velho no espelho fez o mesmo.Deu uns passos a frente.O tamanho do velho aumentou,olhou pra as mãos.-enrugadas,não eram as dele !e olhou os pés !não eram os dele.O corpo também não era!

-Meu deus!-exclamou em voz alta –Ah,meu Deus!

Então ouviu a própria voz.Nem sequer era a sua.Tinham trocado também o órgão vocal.Apalpou a garganta, a cabeça com os dedos .nenhuma cicatriz! Em parte alguma .Vestiu as roupas do velho e desceu correndo a escada.Bateu na primeira porta que encontrou, onde estava escrito “Zeladora”.

A porta se abriu uma velha.

– Pois não, Mr Tilson?-perguntou

-Mr tilson?minha senhora eu sou o presidente dos estados unidos isto é urgente!

-Ah, Mr Tilson o senhor é tão engraçado!

-Escute, onde é o telefone?

-Ali onde sempre esteve Mr Tilson.Logo á esquerda da porta de entrada.

Apalpou os bolsos.Tinham lhe deixado uns trocados.Olhou a carteira 18 dólares.Colocou uma moedinha no telefone.

-Minha senhora qual o endereço daqui?

-Ora, Mr Tilson o senhor sabe muito bem qual é.Faz anos que mora aqui.O senho está se comportando de um modo estranhíssimo hoje .E tem mais uma coisa que quero lhe dizer!

-Sim,sim, o que é?

-devo lembrar que hoje é dia de pagar o aluguel!

-Ah minha senhora, por favor, me de o endereço daqui!

_Como se não soubessse!é 2435,Shoreham Drive.

-Alô?-disse ele no telefone-táxi?mande um carro aqui pro numero 2432.Shoreham Drive.estarei a espera no térreo.O meu nome?O meu nome?está bem o meu nome é Tilson…

Não adianta ir lá na Casa Branca, pensou, já devem er tomado precauções…Vou procurar o maior jornal.Contarei tudo a eles.Contarei tudo o que aconteceu ao editor….

Os outros pacientes riram dele.

-Tá vendo esse cara aí?Aquele ali, que se parece com aquele ditador,com é mesmo o nome dele, só que bem mais velho.Seja lá como for, quando chegou aqui no mês passado dizia que era o presidente dos Estados Unidos.Isso já az um mês.Agora já quase não toca mais no assunto. Mas gosta de ler jornal á beça.Nunca vi um cara mais louco pra ler jornal.Mas entende de política pra burro.Acho que isso tá deixando ele doido.Política demais.

Tocou a sineta do jantar.Todos os pacientes se animaram.Com uma exceção.

O enfermeiro chegou perto dele.

-Mr Tilson?

Não houve resposta.

-MR TILSON!

-Ah..o que foi?

-Tà na hora de comer Mr Tilson!

O velho de cabelo branco se levantou e se dirigiu lentamente para o refeitório dos pacientes.

———

créditos:’Crônicas de um amor louco’-editora L&M pocket,2007

Você tem bebido?poema por Bukowski

(Charles BUkowski-tradução eu)

lavo um pouco acima das costas, o velho caderninho amarelo
está fora outra vez.
Escrevo em uma cama
como fiz no ano passado
Irei ver o médico segunda,
“sim doutor,pernas fracas,vertigem,dores de cabeça
e minhas costas doem ”
“você tem bebido?”ele irá me perguntar
“feito exercicios, tomado suas vitaminas?”
eu penso que estou apenas com uma vida doentia
e seus mesmos velhos fatores flutuando numa trilha
em que não presto qualquer atenção
Vejo corridas de cavalo sem sentido
mas saio cedo sem fazer apostas
“caindo fora?” me pergunta um gerente de motel
“sim,isto é uma chateação” lhe respondo
” e você acha que não tem chateação lá fora?”
ele me diz “volte aqui ”
então aqui estou aconchegado nestes travesseiros novamente
apenas um sujeito velho,
um velho escritor,
com seu caderninho amarelo,
alguma coisa á passear pelo chão,
me toca.
Oh,apenas o gato
desta vez

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original

Are You Drinking?

washed-up, on shore, the old yellow notebook
out again
I write from the bed
as I did last
year.
will see the doctor,
Monday.
“yes, doctor, weak legs, vertigo, head-
aches and my back
hurts.”
“are you drinking?” he will ask.
“are you getting your
exercise, your
vitamins?”
I think that I am just ill
with life, the same stale yet
fluctuating
factors.
even at the track
I watch the horses run by
and it seems
meaningless.
I leave early after buying tickets on the
remaining races.
“taking off?” asks the motel
clerk.
“yes, it’s boring,”
I tell him.
“If you think it’s boring
out there,” he tells me, “you oughta be
back here.”
so here I am
propped up against my pillows
again
just an old guy
just an old writer
with a yellow
notebook.
something is
walking across the
floor
toward
me.
oh, it’s just
my cat
this
time.

No Caminho, com Maiakóvski

Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

Um viva aos 40 anos do AI5 nesse primeiro de maio

O Ato Institucional Número Cinco foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar nos anos seguintes ao Golpe militar de 1964 no Brasil. Redigido pelo Presidente Artur da Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968, veio em resposta a um episódio menor: um discurso do deputado Márcio Moreira Alves pedindo ao povo brasileiro que boicotasse as festividades do dia 7 de setembro. Mas o decreto também vinha no correr de um rio de ambições, ações e declarações pelas quais a classe política fortaleceu a chamada linha dura do regime instituído pelo Golpe Militar. O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi um instrumento de poder que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira conseqüência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano.

 

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As ordens mandadas cumprir pelo AI-5

O AI-5:

  • fechou o Congresso Nacional por prazo indeterminado;
  • decretou o recesso dos mandatos de senadores, deputados e vereadores. Estes ainda continuaram a receber parte fixa de seus subsídios;
  • autorizou, a critério do interesse nacional, a intervenção nos estados e municípios;
  • tornou legal legislar por decreto-lei;
  • autorizou, após investigação, decretar o confisco de bens de todos quantos tenham enriquecido, ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública, inclusive de autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista, sem prejuízo das sanções penais cabíveis;
  • O Presidente da República, em qualquer dos casos previstos na Constituição, poderá decretar o estado de sítio e prorrogá-lo, fixando o respectivo prazo;
  • suspendeu a possibilidade de qualquer reunião de cunho político;
  • recrudesceu a censura, determinando a censura prévia, que se estendia à música, ao teatro e ao cinema de assuntos de caráter político;
  • suspendeu o “habeas corpus” para os chamados crimes políticos;

As proibições de reunião e manifestações públicas de caráter político

Eis o Artigo que aborda este assunto:

Art 5º – A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:

I – cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;

II – suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;

III – proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;

IV – aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:

a) liberdade vigiada;

b) proibição de freqüentar determinados lugares;

c) domicílio determinado;

(fonte :wikipédia)