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Poema nº15

1.Estounumasalasemespelho.Oeudentrodo
espelhonaturalmentedeuumasaída.Euno
momentoestoutremendotemendooeodo
espelho.Ondeéeoqueseráqueoeudentrodo
espelho.Ondeéeoqueseráqueoeudentrodo
espelhoestariatramandofazercomigo?

2.Dorminumacamafriaaninhadoumpecado.
Nomeucomcertezasonhoeunãoestavapresente.
Ebotasmilitarescontendopéspostiçosdeixaram
sujarafolhaembrandodomeusonho.

3.Entrosorrateiramentenasalacomooespelho
Paramelibertardoespelho.Magoeudentrodo
espelhoentrainfalívelmenteaomesmotempo
comumsemblanteaflito.oeudooutroladodo
espelhometransmiteumpedidodedesculpas.
Assimcomooencontromeencarcerade
formacausaeletambémseencontra
encarceradoporminhacausaetreme

4.Sonhomeuondeestouausente.Espelhomeuemque
ofalsoeunãoseapresenta.Soualguémqueanseiape
laminhasolidãpmesmocomtodasasuaimpotência.Eu
finalmentedecidipersuadiroeudoespelhoaosuicído.
Mostreilheumajanelinhasóparaosuicídio.masle
meensinaquenãopodesesuicidarseeunãofizeromes
mo.OeudoespelhoseassemelhaaoFênix.

5.Lacroomeupeitoesquerdonaregiãodocoração
comoummetalantibalaedouumtiroderevólver
mirandoomeupeitoesquerdomasoseucoração
ficadoladodireito

6.Umatintavermelhaverteudamaquetedocoração
nomeusonhoumquecompareciatrasadofuicondenado
ápenacapital.Nãosoueuquemdominaomeusonho.
Existeumpecadodescomunalbloqueandoosdois
quenemsequerpoderdarumapertodemão.

Poema nº14
Aquelecopodegessoseparececommeucrânio
quandosegureifirmeocopoumbraço
brotoudonadademeubraçocomosefosse
umramoenxertadoeamãoqueperdia
naportadaquelebraçolevantoubem
altoocopoeatirouaochão.Omeubraço
resguardadamorteaquelecopoeentão
oquesefezemcacoséomeucrânioquese
parececomoocopo.Aindaqueomeubraço
tivessesemovidoantesqueobraço
ramificadoviesseapenetrar
omeubraçocomoumacobraopapel
brancoquesetinhaaenchenteseteria
rasgado.Masomeubraçocontinua
aresguardardamorteocopo
Poema nº03

Aquelequebrigaéenfimaquelequenão
brigavaeaquelequebrigaeratambému
mquenãoestábrigandoagoraeporisso
seaquelequebrigaquiserassistiraum
abrigapodefazeroseguinte:ouoquenão
brigavaassisteaumabrigaouentãoum
quenãoestábrigandoassisteumabriga
ouaindaoquenãoestavabrigandoouoq
uenãoestábrigandoassisteemumanão
brigaeissobasta

Fonte:”Olho de Corvo”-trad.Yun Jung Yum

Yi Sáng(1910-1937) é um pseudônimo deliberadamente vazio de qualquer significado substancial,literalmente “caixa”.
Cursou o colégio técnico de arquitetura,chegou a trabalhar na prefeitura de sua cidade como projetista, mas abandonou o ofícío devido a tuberculose.Caiu na vida bôemia,instigado pelo spleen Romântico.Escreveu contos e  poesias,sendo suas publicações em vida  foram: a novela “Asas” e uma coletânea de 10 poemas de seu projeto ” Olho de Corvo”.

Esse projeto originalmente seria composto de 30 poemas publicados no jornal
diário Jo-sán-jung-ang, o principal da época na Coréia, que se iniciara em junho de 1934.Devido ao fervor dos leitores e crítica da época o projeto foi interrompido.

(Fonte:” O Pássaro que comeu o Sol” e “Olho de Corvo” Yun Jung Im(tradução e organização)
——

Yi Sang,em sua desvergonhada despreocupação em esboçar uma conciencia moderna ,a dele mesmo era irremediavelmente fragmentada,
e essa fragmentção é espelhada nas inovações formais do poeta-o uso de sentenças sem sentido que resistem atentamente ao dever dum sentido,a importância de gráficos,tabelas e formulas matemáticas enseridas ao corpo do poema, etc.Yi sang agressivamente rejeitouos hábitos de contenmplação e de convenções literárias vigentes.

Ele  foi provavelmente o mais destacado escritor de vanguarda e poeta do periodo colonial.
Em ambas,poesia e ficção,ele experimentou e explorou com a linguagem seu próprio interior,
dividido entre  inserção e rompimento com o mundo exterior.

Seus poemas podem ser relacionados aos experimentos literários ocidentais do dadísmo e surrealismo.
A experimentação de Yi Sang, respectivamente incluem a incorporação da linguagem da matemática e arquitetura-linhas, pontos,diagramas,simbolos númericos,equações,etc.O excesso dessas exoerimentações,no entanto,as vezes restringe a possibilidade de uma compressão poética.Especialmente,pela extrema dissolução da forma em alguns de seus poemas.

O trabalho literário de Yi Sang merece ser mencionado como que um marco significativo
no panorama do modernismo e da alto grau de fragmentação do inconsciente.

Um bom exemplo é seu poema “Espelho”(1934),no qual ” o Eu do espelho”,está distante de apresentar uma imagem na qual menções objetivas de si próprio podem ser feitas,se porta como um simbolo muito emblemático de sua fragmentação..

Espelho

Nãohásomdentrodoespelho
Nãodevehavernenhumoutromundotãosilenciosoassim

Dentrodoespelhotambémtenhoorelhas
Duaspobresorelhasquenãoentendemoqueudigo

Oeudentrodoespelhoécanhoto
Umcanhotoquenãorespondeaomeuapertodemão
conheceoapertodemãos

Eunãoconsigotocaroeudoespelhoporcausadoespelho
Massenãofossepeloespelhocomoeuteriaaomenos
conhecidooeudoespelho?

Eunomomentonãotenhoespelhomasdentrodoespelho
hásempreoeudoespelho
Nãsoseimuitobemmasdeveestarabsortoemalgum
trabalhocanhoto

Oeudoespelhoébemoopostodemimmastambémse
parececomigo
Ressintomemesmodenãopodermepreocupar
emexaminaroeudoespelho
(trad.Yun Jung Im)

Depois em 1936,Yi Sang progressivamente voltou-se para a ficção.Seus contos “Asas(1936)”
e ” Aranhas e Porcos(1936)” exploram os contornos da psiquê em um contexto mais
fudalmentado no concreto,cotidiano da vida.as confissões de um narrador em primeira pessoa
e a auto-análise, ás vezes irônica ,frequentemente ciníca, prenchem as páginas destes trabalhos.
A compulsão pela auto-exposição,divide o foco com pontos tradicionais estabelecidos
através principíos dispostos de casualidade  e experiencia direta,formam a direção
da narrativa.O narrador de Yi Sang é quase sempre um homem torturado pela ansiedade
e dúvidas em relação aos outros.Em “Asas”, por exemplo o narrador lida
incansávelmente com questões que o aborrecem sobre sua esposa.

Para alguns personagens,um encontro entre dois seres humanos pode significar
um truque barato e um série de iguais vulgaridades ludibriosas constituindo
um única forma de interagir com os outros,Yi Sang é também mencionado
pelo seu uso de piadas e epigramas em sua poesia e pela incorporação
de elementos de psico-análise em sua prosa.Como rígido analista
dos dramas do ciclo da vida-de fato com um escritor que elevou
sua busca pelo que vale á pena dentro da atividade literária.
Yi Sang é um ícone que permanece na vanguarda da literatura moderna
nas Coréias.

Nesta ótica,é díficilmente uma surpresa seu nome ter servido frequentemente
como fonte de inspiração para escritores que procuram romper com a mesmice do
idioma literário.

(fonte:Twentieth-Century Korean Literature-
Yi Nam-ho, U Ch’anje, Yi Kwangho, Kim Mihyon
Translated by Youngju Ryu
Edited by Brother Anthony, of Taizé)

 Cowgirl-Everything.com 2005 - 2008

Cowgirl-Everything.com 2005 - 2008

Engatilho,
numa  fissura despudorada

Compelido,
num ferino projétil.

A  poder do manuseio táctil
da bandoleira, esfaimada!
Pelos duelos de carícias,
no arbítrio de propostas vadias

Sublima,
o gelo da bebida
em sua pele de luxúria efervescida
os lábios  cumprimentam um segredo
em suas formas de desassossego
galgado.

Atarefado,
o frenesi libertino, das estações
a primavera no aproximar das coxas
e o verão da endorfina, deixando as células loucas
chegando porvir, o mais alto prêmio as contravenções
é  hora de apaziguar os olhares,que já planejam
o próximo enlace

O perfume, ainda remeterá a  face.
que os dias mais tediosos cortejam
entre tragos,jogatinas e aspirações

Nesse cotidiano de servir corporações
que nada tem  ao mundo serventia
mas, despojada de ordens a amada alforria

Qualquer fetiche ou cafajestice
e me disponho à ser refém de bom grado,
no saque ao meu coração, artífice!

(crédito poesia:Fábio R.Vieira(2008)

*todos os poemas de minha autoria aqui publicados contém registro BN,sua reprodução só é permitida com autorização prévia do autor

intro

A ascensão da literatura coreana moderna(1900-1945),deve ser compreendida, no contexto histórico, como uma manifestação inicial para a modernização da sociedade, para o reestabelecimento da avariada ordem sócia-político tradicional das Dinastia, e como relato da amarga experiência de colonização japonesa. No fim do séc .XIX as circunstâncias sociais e culturais eram já propíciais para expansão da instrução: os livros e os jornais usando o alfabeto coreano, um pouco do que o chinês clássico (que tinham sido o meio padrão de divulgação escrita no período de Chosŏn), tornaram-se difundidos, de modo que o coreano escrito se tornasse mais facilmente acessível ao leitor comum. Além disso, com a absorção da cultura ocidental moderna e as instituições de uma sociedade burguêsa, vieram as novas formas de perceber o mundo e o lugar do indivíduo dentro dele. (Fonte : inglês-“20 st. Korean Literature-Fundação Coreana para o desenvolvimento da cultura”) Esse período da literatura coreana contou com grupos de autores querendo reviver e atualizar um pouco das manifetações da poesia tradicional( particularmente a forma e a temáticas dos Sijôs) como a “corça azul” e grupos mais experimentais e irriquietos. (resumido de:”O passáro que comeu o sol-Yun Jung In) Eu particularmente tentarei monstar algumas descobertas minhas dentro desse intrigante e criativo grupo de poetas( o que tentarei expandir para a poesia de outros países),iniciando pelo questionador Park In-Hwan

Poemas:

“Eu escrevo este poemas,pensando como posso expressar da melhor maneira a mente esquizofrenica do mundo atual e como eu poderia definar sobre o melhor jeito de caminharmos e sermos seguidos;em outras  palavras, eu quis escrever sobre a palavra dobrada pelo medo e da esperança  de ter vivido durante uma época com

todos os instintos despidos da experiência de  não ter sido corrompido”

(prefácio de “Coletânea de poesias”(1955) escrito pelo autor

O CAVALO- DE- PAU E A DAMA

Após um trago,
falamos de Vírginia woolf,sua vida,
e sobre a dama que se foi num cavalo-de-pau
farfalhando o vestido
após abandonar a dona,
o cavalo-de-pau partiu outono adentro,
tinindo apenas o seu guizo.Estrela cadente na garrafa vazia
que magoada se despedaça suavemente no meu peito
Assim,a pequena que conheci brevemente
cresce junto ao arvoredo do jardim
E quando morre a literatura
e fenece a vida
e quando até a verdade do amor
abandona os rastros das paixões
a criatura do amor no cavalo-de-pau foge à vista
O tempo é algo que vai e vem
Às vezes murcharmos ao fugir do isolamento,
e agora devemos nos despedir
ao som das garrafas que caem no vento,
devemos fitar os olhos tristes da velha escritora
… to the lighthouse…

devemos nos lembrar do cavalo-de-pau,

o seu triste som,
pelo futuro do pessimismo

que às cegas preservamos
Mesmo que tudo parta ou morra,

devemos nos agarrar à consciência vacilante
que ainda resta em nossos

corações,e escutar a

armaga história de Virginia Woolf

Como uma cobra que encontra a sua juventude
ao rastejar por entre duas rochas,
devemos beber dessa taça de olhos abertos
Se a vida nem é solitária
e se é tão ordinária
quanto capa de revista,
que lamento é tão medonho

assim,de que tanto fugimos?
O cavalo-de-pau jaz no céu
e o seu tinir ondeia nos meus ouvidos
Enquanto o vento de outono
geme rouco na minha

garrafa caída
(trad.pt-Yun Jung Im)

……….finalmente……………
Aos Capitalistas

Eu desprezo as imperfeções de seu manifesto
Perigos que irão destruir você e ser capital
Estão aproximando como uma onda de rádio distante
Quando o coopiloto foje
Ali presentiu a tempestade negra pairando no campo de vôo
Ecoa a canção cantanda somente no fim da noite
Vocês capitalistas,por essa razão,não falam da civilização
Hoje o sol é uma repartição desta cidade,e o espírito
Os alicerces da humanidade estão agora em ruínas
Onde somente os corpos de pombos mortos reposam
A fuselagem do avião que foi removida
Com o vento zunindo velozmente cruzando uma via récem aberta
Sente beirar o limite de outro escuro espaço,
O fino corpo do piloto cortou o céu como uma nuvem
Perdido na luminescência do sol e da lua
Ele não contou os montantes bancários onde a humanidade morre
Uma vasta noite cobre os contornos da civilazação
Aviões despencam como luxuosos hotéis em um sonho
Ùltimo passeio da vida e da ordem irrevogável
Está chegando ao fim
A chuva cai para purificar todos os velhos vilarejos

Oh!Deus da escuridão

Quem chora sobre uma lápide ali?
Quem sai para alveolar as construções?
Qual fumaça se desvia na negra superfície do mar?
Qual morte está no coração do homem?
Qual movimento o ano novo faz quando o ano velho se vai?
Onde eu poderei ver meu amigo a guerra levar?

De-me a morte, não este ressentimento
Cubra a Terra com ventos e neve
Não com estes enxame de homens.
Não deixe as flores desabrochas parcialmente,
Deixe somente está lápide e esqueletos de construções esperarem.

Seu perpétuo tema deveria ser,Oh!Deus da escuridão,
a cruel lembrança de guerra, um dia e um ano.
(trad.ing Kim u’ chang/trad pt Fábio R.Vieira)

Quando eu falo com a voz suave

Quando eu falo com a voz suave da guerra
E do dinheiro, e dos objetos do medo,
No contínuo fluxo da vida aguardando,
A chuva cai, modelando meu rosto

O brilho do céu e da estação eu cobiçei para
Deixar-me somente com a alma lavada
A revolta que pulsou em meu sangue
Está destruida pelo fogo com minha juventude e livros

Capturada nas transcrições da mediocridade
E a fulgacidade, eu culpo ao álcool
Estou adoecendo um pouco de medo
Nasci num verão agora esquecido

Quando falei macio,perdido no campo
Esperando debaixo da clarabóia em um beco estranho,
Haverá uma nova oportunidade de vida para nós?
Meus desejos correm secos,dissipados.

Quando um poeta,tolo e decadente,
Com sua voz suave fala de medo e ruínas,
Para homens e mulheres e para alunos,
Irá o longo processo de morte cessar?

Quando eu falo com a voz suave da guerra
E do amor para a velha degustação do saquê
Em algumas linhas de poesia fácil
Sozinho ou para um mundo que não conheço.

Nós almadiçoaremos aquilo que sempre achamos ?
Nós desejamos partilhá-lo com os outros?

(trad.idem anterior)

(Fonte dos poemas  inglês-Korea Journal-sep.1966)

A Flauta Vertebrada
Dedicado a Lila Brik(1915)

III

Esquecerei o ano,o dia, a data.
Encerrar-me-ei,solitário,
frente á branca folha de papel.
Que nasça a magia sobre-humana das palavras
iluminadas de dor!

Hoje,apenas entrei,
senti
a casa estranha.
Alg ocultavas em teu vestido de seda.
No ar flutuava um perfume de incenso.
-Feliz?
Um frio:
-Muito!
De angustia rompeu-se-me o dique da razão.
Ardendo,febril,resisto á desgraça.

Escuta,
por que esconder o cadáver?
Faze cair sobre minha cabeça
a avalanche
de terrível palavra,
pois cada um dos teus músculos
como um alto falante grita:
Ele está morto,morto,morto!
Não!
Responde!Não mintas!
(Como poderei ir-me embora assim?)
Teus ollhos em tua face escavaram
as fossas de dois túmulos
Fossas profundas.Sem fundo.
despenhar-me-ei
dos altos andaimes dos dias?

Por cima do abismo
estende-se minh’alma!
tensa como um cabo
onde me equilíbro,
malabarista das palavras.

Sei
O amor dele te gastou
Adivinho-te o tédio por inúmeros sinais

Remoça-te em minh’alma!
Entrega a meu coração
a festa de teu corpo!
Sei
Todos pagam pela mulher
Não importa
se,por ora,
em vez do luxo um vestido parisiense
visto-te apenas com a fumaça de meu cigarro

Levarei meu amor
como um apóstolo d’outrora
através de todos os caminhos
Uma coroa te ofertarão os séculos
e nela minhas palavras compõem
um arco-íris de frêmitos
Assim como os elefantes
como sua dança de cem toneladas
festejaram a vitória de Pirro,
assim a marcha de meu gênio
ressoará em tua fronte.
È em vão
Não te posso arrancar.

Alegra-te,
alegra-te,
me venceste afinal!
Sinto-me tão mal
que só quero correr ao canal
e mergulhar a cabeça nas águas.

Teus lábios…
Como és grosseira com eles.
Se os toco,um frio me tolhe
como se beijasse,
como lábios hereges,
a pedra fria da cúpula de um mosteiro.

As portas bateram.
Entrou ele
orvalhado pela alegria das ruas.
foi como se um gemido
me tivesse partido
em dois.
Gritei-lhe:
“Bem,já me vou!”
Fica com ela.
dá lhe roupas
para que suas asas tímidas

cont…final

sob a seda se enredem.
Cuidado,para que não voe!
Amarra-lhe,
como uma pedra ao pescoço,
colares de pérolas!”

Ah! aquela noite!
Do desespero se apertava o nó
Vendo meus risos e prantos
o rosto de meu quarto
se torceu de horror.
Como um espectro diante de mim
teu semblante se erguia,
teus olhos iluminavam as alfombras
como se um novo Bilik te sonhasse.
Ò deslumbrante e hebréia
rainha do Sião!

Martirizado
diante daquela a que renunciara
caí de joelhos.
O rei Alberto

que perdeu todas as cidades
comparado comigo
está coberto de dádivas.

Dourai-vos ao sol,flores e ervas!
Sede primaveris,elementos da natureza!
Eu apenas quero um veneno:
embebedar-me de versos.

Ladra de meu coração,
tu que tudo me tomaste
atormentado minh’alma de delírios,
aceita minha oferenda,querida,
pois talvez nunca mais eu invente nada.

Tenho colorido de festa a data de hoje
Nascei,palavras
crucificadas de magia
Vedes?
Com palavras como cravos
estou cravado ao papel

À Esquerda Aos marinheiros russos(1918)

Em frente,marche!Basta de falar!
O tempo dos oradores já passou
Hoje tem a palavra
O Camarada Mauser!
Não há outra lei senão a natureza.
Somente Adão e Eva estão com a verdade.
Abaixo as leis,abaixo as cadeias!

Fustiguemos a carroça da história!
À esquerda,à esquerda,à esquerda!
Em frente,à conquista
dos Oceanos!
Tendes canhões em vossos navios de aço.
Já esquecestes como os fazer falar?
Que a coroa abra uma goela
quadrangular,
que o leão britânico ruja
que importa?
A comuna está em marcha
e manterá a vitória!
À esquerda,à esquerda,à esquerda!

Aqui é a sombra e a morte,mas lá longe
do outro lado das montanhas
o sol se levantou sobre um mundo novo.
Lá,além das planícies,
o solo estremece sob os passos inimeráveis
de homens impávidos e livres.
Camaradas,nós somos um rochedo de granito.
Os bandidos da Entente se arremessam contra ele.
Mas nada abaterá a Rússia Soviètica.
À esquerda,à esquerda,à esquerda!
Eles não puderam furar os olhos atilados da águia
que olha e compreende as lições do passado.Avante pois,meu povo,e já que o pegaste
estrangula teu carrasco!
A trombeta dos bravos já soou o alarme.
Nossos estandartes aos milhares avermelham o céu.
Só a rota dos traidores é que conduz à direita.
À esquerda,à esquerda,à esquerda!

Vladimir V.Maiakovski,nasceu em 1893,numa vila interiorana,que hoje recebe seu nome, na atual República da Geórgia.
Vindo de uma familía pobre, ele conheceu a militância comunista na adolescência quando,logo após a morte de seu pai,mudou-se com os familiares para a cidade de Moscou.Afiliou-se ao partido Bolchevique, e chegou a ser preso com “agitador social”, e foi na prisão que ele começou a desenvolver sua poesia.Após ser libertado, se matriculou na escola de Belas Artes,pretendo segundo ele mesmo:”desenvolver uma arte verdadeiramente socialista”.
Não se deu muito bem nas artes plásticas e então junto com alguns colegas fundou o Movimento Futurista Russo que atingiu uma relativa popularidade na época,chegando ao ponto de ser apadrinhando pelo famoso romancista Máximo Gorki.

Em 1917, após a Revolução Russa que levou a criação da URSS, Maikovski foi convidado a integrar a Agência de Propaganda Governamental(ROSTA). Enfrentou um longo período de dificuldades e fome, e em 1923, deixou seu “cargo” para ser diretor de uma revista de vanguarda, e pouco tempo depois se tornou um dos poetas mais amados pelo povo.Porém, essa popularidade trouxe muitos inimigos pessoais para o escritor, que viriam anos mais tarde leva-lô ao declínio e ao suicídio.

Sua obra poética, trata de revolução, patriotismo, de amor ao povo, comunismo,de dificulkdades sociais e até certo ponto de esperança.Sua vida pessoal foi sempre muito conturbada,por causa de suas idéias fez muitos inimigos até dentro do própio partido,se envolveu com algumas mulheres casadas,a mais famosa entre elas foi a mulher de um amigo Lila Brik(para quem dedicou muitas de suas composições), mas também foi muito produtiva chegando o poeta a fazer várias viajens pela Europa e América como uma espécie de embaixador da cultura soviética.

Sua morte, em 1930, comoveu profundamente o povo russo,seu funeral foi feito com honrarias de um chefe de Estado,sua carta de adeus se transformou em canção popular.
Durante a Segunda Guerra Maikovski esteve junto ao coração dos soldados.
Sob forma de livro,foi encontrado muitas vezes nos campos de batalha,trepassado de balas,
ao lado dos camaradas mortos ou feridos, esses objetos se encontram hoje expostos no museu em homenagem ao poeta.Em Moscou até hoje existe um museu em sua homenagem.Até mesmo no Brasil a poesia de Maikovski teve grande influência,sendo a composição “No caminho com Maiakóvski” de Eduardo Alves da Costa(um de seus tradutores em língua pt),uns dos maiores símbolos do período de luta contra a ditadura militar no país.

Como se diz

“O incidente está encerrado.O barco do amor quebrou-se contra a vida quotidiana.Estou quite com avida.
Inútil passar em revista as dores, as desgraças e os erros recíprocos”

V.M em sua carta de despedida

(Texto elaborado com base na biografia sobre Maikovski disponível na “Antologia Poética” feita por Emílo Guerra-1983)

A Blusa Amarela (1913)

Do veludo de minha voz
Umas calças pretas mandarei fazer
Farei uma blusa amarela
De três metros de entardecer
E numa Nevski* mundial com passo pachola
Todo dia irei flanar qual D.Juan frajola

Deixai a terra gritar amolengada de sono:
“Vais violar as primaveras verdejantes!”
Rio-me,petulante,e desafio o sol!
“Gosto deme pavonear pelo asfalto brilhante!”

Talvez seja porque o céu está tão celestial
E a terra engalanada tornou-se minha amante
Que lhes ofereço versos alegres como um carnaval
Agudos e necessários como um estilete pros dentes.

Mulheres que amais minha carcaça gigante
E tu, que fraternalmente me olhas,donzela.
Atirais vossos sorrisos ao poeta
Que,como flores,eu os coserei
À minha blusa amarela!

—————

*n t=nevski, principla avenida de Moscou

21410

poetas

chega de poesia

aos deuses ambrosia

a nós                     2ªvia

só cabe     homens-sanduíche

anunciar                   o que avisam

a vida                                       é kitsch

e eles                                                 não bisam

(2ªVia -1984)

Mas

O corvo

Sem um som

Surdo é só

Insone e só no

Pálido busto de Palas

Curvo

No seu posto jaz

E o seu olhar tão turvo

Como o sonho de um demônio

E a lâmpada desdobra

Sua sombra

Em meus umbrais

E minha alma

Dessa sombra

Que soõbra

Em meus umbrais

Não se recobra

Nunca mais

(transcorvo de poe-1992)

*

a geléia geral

que te deve até o nome

não engoliu o teu

décio pignatari

medula e osso

não emparedaram

teu coração carbonário

capaz de pedra

e pedrada

de avanço e de avesso

de pensar o impensável

ler o ilisível

signar o insignável

de quebrar a cara

e pedir perdão

oswald pound dante

vão compondo

um pouco

o teu perfil cortante

de mallarmé calabrês

que acaso osasco

lançou nos dados

para um lance de três

e no entanto

e no entanto

ninguém tanto

quis vida

como o teu

quimorte

LIFE organismo hombre

o bioamor de        ser

humano

sem chorar ou vender

tó pra vocês

para per por

os teus 60

e com ternura

a minha mão

de irmão

mano

(dp-1987)

*

mais poemas do livro e do autor

aguarde nova enquete

sobre mim:

Nietzche em seu ensaio:“Moral Como Antinatureza” escreveu : A realidade nos mostra uma encantadora riqueza de tipos, uma abundante profusão de jogos e mudanças de forma.” ************************************ você pode acessar meus textos também através dos sites: Recanto das Letras Fabio R Poesia e Companhia

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