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“A podridão me serve de Evangelho…”

(Augusto dos Anjos)

Nos tempos mais vernos uma alegoria
Pára sorrateiro em frente o solar
Um vulto agreste que vem assolar
Despir a meninice de sua glória

E o que sobra é,sempre amaro,memória
Coagida por receios, por ausências
Furta o ser de plenas experiências
Nunca o agraciando com euforia

Por isso o élitro jaz bem hermético
À cesurar, em descompasso, o busto
Que ostentava outrora o epíteto augusto!

Salienta o hirsuto traste, zoomórfico:
Invejar o aprumo eterno de querubim
Nas bochechas salpicadas de carmim

**

texto ref.

introdução:

Monólogo de uma sombra,”Eu e outras poesias”Augusto dos Anjos.

imagem:

Prohibited Book, Luis Royo-artista gráfico espanhol

malhadpoetrixEm “Teoria do poetrix”, citei que a melhor função do Poetrix é a “interação coletiva” ou seja fazer poesia e amigos sem maiores obstáculos formais.

Ai vão exemplos disto, percebem que não dá mesmo pra prever  para onde será levada suas “ideias iniciais na composição”.

1.LÁBIOS

Invejam rosas, o deleitar
A primavera acolhe
Amores-perfeitos

Fabio R

a)LÁBIOS// DELICADOS

Invejam rosas, o deleitar// Qual mar
A primavera acolhe// Excelso jardim…
Amores-perfeitos// Reinando em olores…

Fabio R.// Ronaldo Rhusso

a.1)LÁBIOS// DELICADOS // ROSADOS

Invejam rosas, o deleitar// Qual mar // A perfumar
A primavera acolhe// Excelso jardim… // Suaves brotos
Amores-perfeitos// Reinando em olores… // Pelo ar…

Fabio R.// RonaldoRhusso//MariSaes

a.2)LÁBIOS// DELICADOS // ROSADOS//MOLHADOS

Invejam rosas, o deleitar// Qual mar // A perfumar//inebriam…
A primavera acolhe// Excelso jardim… // Suaves brotos//orvalhados beijos
Amores-perfeitos// Reinando em olores… // Pelo ar…//em doces desejos…

Fabio R.// RonaldoRhusso//MariSaes//Nelciene Santos

b)LÁBIOS // DO MEL

Invejam rosas, o deleitar// as borboletas colhem
A primavera acolhe // o pólen e, mais-que-perfeitos
Amores-perfeitos// carmins desenham-se no teu rosto.

Fabio R. // Fátima Mota

b.1)LÁBIOS // DO MEL // NO BUQUÊ

Invejam rosas, o deleitar// as borboletas colhem // Em casulo
A primavera acolhe // o pólen e, mais-que-perfeitos // Fazemos
Amores-perfeitos// carmins desenham-se no teu rosto. // Bem-querer

Fabio R. // Fátima Mota // Gilnei Nepomuceno

2. RECESSÃO P(r)OÉTICA

Máquina do mundo:
Falta óleo?
E sobram engrenagens

Fabio R.

a)RECESSÃO P(r)OÉTICA// ESTAGNAÇÃO?

Máquina do mundo:// Parece travar
Falta óleo?// O símbolo do amor…
E sobram engrenagens// Corações desocupados…

Fabio R.// Ronaldo Rhusso

a.1)RECESSÃO P(r)OÉTICA// ESTAGNAÇÃO? // DO TEMPO

Máquina do mundo:// Parece travar// O sonho
Falta óleo?// O símbolo do amor…// Enferruja
E sobram engrenagens// Corações desocupados…//Num mote solitário..

Fabio R.// Ronaldo Rhusso//MariSaes

*Para mais informações de “o que é e como ler e entender” o MUlTIPLIX ,consulte o artigo “teoria litéraria” digitando esse termo na caixa de busca desse mesmo blog.

O sitío de interação utilizado foi o Fórum de Discussões, hospedado no site Recanto das Letras

Prezado Alípio:

Ontem à noite, ao sair você de nosso apartamento, aonde veio em busca de sabedoria grega e só encontrou um conhaque e um gato por nome Crispim, assentei de reduzir a escrito o que lhe dissera. Aula de ceticismo?Não. Ele se aprende sozinho. A única coisa que se pode remotamente concluir do que conversamos é: não vale a pena praticar a literatura, se ela contribui para agravar a falta de caridade que trazemos do berço.

Por isso, e porque não adiantaria, não lhe dou conselhos. Dou-lhe anticonselhos, meu filho. E se o chamo de filho perdoe: é balda de gente madura. Pouco resta fazer quando não nascemos para os negócios nem para a política nem para o mister guerreiro.Nosso negócio é a contemplação da nuvem.Que pelo menos ele não nos torne demasiado antipáticos aos olhos de coletâneos absorvidos,Alípio, e saiba que eu o estimo:

I- Só escreva quando de todo não puder deixar de fazê-lo. E sempre se pode deixar.

II- Ao escrever,não pense que vai arrombar as portas do mistério do mundo.Não arrombará nada.Os melhores escritores conseguem apenas reforça-lo, e não exija de si tamanha proeza.

III- Se ficar indeciso entre dois adjetivos,jogue fora ambos, e use o substantivo.

IV- Não acredite em originalidade, é claro.Mas não vá acreditar tampouco na banalidade, que é a originalidade de todo mundo.

V- Leia muito e esqueça o mais que puder

VI- Anote as idéias que lhe vierem na rua, para evitar desenvolve-las.O acaso é mau conselheiro.

VII- Não fique baboso se lhe disserem que seu novo livro é melhor do que o anterior.Quer dizer que o anterior não era bom.

VIII- Mas se disserem que seu novo livro é pior do que o anterior,pode ser que falem verdade.

IX- Não responda a ataques de que não tem categoria literária :seria pregar rabo em nambu.E se o atacante tiver categoria, não ataca,pois tem mais o que fazer

X- Acha que sua infância foi maravilhosa e merece ser lembrada a todo momento em seus escritos?Seus companheiros de infância ai estão, e têm opinião diversa

XI- Não cumprimente com humildade o escritor glorioso, nem o escritor obscuro com a soberba.Às vezes nenhum deles vale nada,e na dúvida o melhor é ser atencioso para com o próximo,ainda que se trate de um escritor

XII- O porteiro do seu edifício provavelmente ignora a existência, no imóvel de um escritor excepcional.Não julgue por isso que todos os assalariados modestos sejam insensíveis à literatura, nem que haja escritores excepcionais em todos os andares.

XIII- Não tire copias de suas cartas,pensando no futuro.O fogo, a umidade e as traças podem inutilizar sua cautela.

XIV. Procure fazer com que o seu talento não melindre o de seus companheiros.Todos tem direito à presunção de genialidade exclusiva.

XV. Fça fichas de leitura.as papelarias apreciam esse hábito.As fichas absorverão o seu excesso de vitalidade e não usadas, são inofensivas.

XVI. Se sentir propensão para o gang literário, instale-se no seio de sua geração e ataque.Não há policia para esse gênero de atividade.O castigo são os companheiros e depois o tédio.

XVII. Não se julgue mais honesto que seu amigo porque soube identificar um elogio falso, e ele não.Talvez você seja apenas mais duro de coração

XVIII. Evite disputar prêmios literários. O pior que pode acontecer é você ganha-los, conferidos por juizes que seu senso critico jamais premiaria.

XIX. Sua vaidade assume formas tão sutis que chega a confudir-se com modéstia.Faça um teste:proceda conscientemente como vaidoso, e verá como se sente à vontade.

XX. Seja mais tolerante com o cabotismo de seu amigo;que sempre esconde uma deficiência, e só impressiona outros cabotisnos

XXI. Antes de reproduzir na orelha de seu livro a opinião do confrade,pense, primeiro que ele não autorizou a divulgação; segundo que a opinião pode ser mera cortesia;terceiro, que você não admira tanto assim o confrade

XXII. Quanto ao seu próprio cabotismo, ele esfriará se você observar que na hipótese mais cristã, é objeto de tolerância alheia.

XXIII. Procure ser justo com os outros; se for muito difícil,bondos;na pior eventualidade,omisso.

XXIV. Opinião duradoura é a que se mantém válida por 3 meses.Não exija mais coerência dos outros nem se sinta obrigado intelectualmente a tanto.

XXV. Procure não mentir, a não ser nos caos indicados de polidez ou pela misericórdia. È arte que exige grande refinamento, e você será apanhado daqui a 10 anos, se ficar famoso e se não ficar, não terá valido a pena

XXVI. Deixe-se fotografar à vontade, sem chamar os fotógrafos;não recuse autógrafos mas não se mortifique se não os pedirem.Homero não deixou cartas nem retratos, Baudelaire deixou uns e outros.O essencial se passa com outros pápeis.

XXVII. Você tem um diário para explicar-se:é assim tão emaranhado?para justificar-se no futuro:julga-se tão extraordinário?

XXVIII. Trate as corporações com cortesia, pois o mais provável é não ingressar nunca

XXIX. Aplique-se a não sofrer com o êxito do seu companheiro,admitindo embora que ele sofra com o de você.Por egoísmo,poupe-se qualquer espécie de sofrimento

XXX. Boa composição moral é a do orgulho e humildade; esta nos absolve de nossas fraquezas, aquele nos impede de cair em outras.Quanto aos santos-escritores é de supor que foram cononizados apesar da condição literária

XXXI.Seja discreto.È tão mais cômodo!

Fonte: Coleção fortuna crítica 1-Carlos Drummond de Andrade-1978 , vários autores;também disponível em:Poesia Completa e prosa.Aguilar-1973

aguarde nova enquete

sobre mim:

Nietzche em seu ensaio:“Moral Como Antinatureza” escreveu : A realidade nos mostra uma encantadora riqueza de tipos, uma abundante profusão de jogos e mudanças de forma.” ************************************ você pode acessar meus textos também através dos sites: Recanto das Letras Fabio R Poesia e Companhia

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