Poemas de Antônio Cardoso(Angola)

DRAMA NA CELA DISCIPLINAR

A aranha monstruosa está com apepsia:
Dou-lhe a aorazada mosca sempre à hora habitual
Mas não galga o violino como já fazia,
Solerte, amarela e negro,para a fatal
Deglutição, e só já reage à terceira
Fumarada do meu cigarro.Enfim, zangada:
não me lenbrei ver se aquela insulsa rameira,
já tonta, qu elhe dei,estaria tocada
Pelo insecticida de horas anres.Farrricoco
De moscardos à boa vida ou domador
Falhado, restm-me as paredes e eu-oco
No cerne-estes fonemas a does, o calor
E o frio, a loucura os janízaros bem pouco
Amogos, a colite, os versos sem valor…

ABANDONO VIGIADO

ler O’Neil
aqui na prisão,
é como cuspir na careca dum burguês
(francês, portugês ou angolês,
tanto fez ou faz….)
empanturrado de consideração…
portanto, meu rapaz,
desculpa a sem cerimónia,
e puxa-me de cachimmónia,
o sumo de limão
do verso que te aparaz…

MAGO

chispa uma estrela
no isqueiro
-camarada rotineiro
de sonho avulso e barato
na minha cela-
e por um segundo
sou o mago, insulso,
aziago e pacato,
que neste dia amrgo
crispa na mão fechada
a mais bela e amada
estrela do mundo…

Fonte:Poesia Africana de Língua Portuguesa(Antologia)

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Biografia Resumida

História da Poesia Angolana(60/79)

Manifestações Literárias Angolanas(doutorado Papparoto,T.A)

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