Haikai

Na lenda coreana
escorrem  as lágrimas-
sobre azaleias

 

Este haikai é inspirado no poema coreano “Azaleias”(1925) escrito por Kim So-wol.

O poema tem como base a lenda em que um camponês tem sua amada transformada em azaleia, flor tipica da Coréia do Norte. Azaleia significa:”flor que nasce na terra seca”

 

Azaleas

When you turn away from seeing me
and go,
gently, without a word, I shall send you away.

From Mount Yak in Yongbyon,
azaleas
I shall gather an armful and scatter them on your way.

Step after step away
on those flowers placed
before you, press deep, step lightly, and go

When you turn away from seeing me
and go,
thought I die, no, not a single tear shall fall.

 

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Saudação ( por Ferlinghetti)

from r7

A cada animal que abate ou come sua própria espécie.
E cada caçador com rifles montados em camionetas
E cada miliciano ou atirador particular
com mira telescópia

E cada capataz sulista de botas com seus caes
& espingardas de cano serrado
E cada policial guardião da paz cpm seus cães
treinados para rastrear & matar

E cada tira à paisana ou agente secreto
co su coldre oculto cheio de morte
E cada funcionário público que dispare contra o público
ou que alveja para matar criminosos em fuga

E cada Guardia Civil em qualquer pais que guarda os civis
com algemas & carabinas
E cada guarda-fronteiras em tanto faz qual posto de barreira
em tanto faz qual lado de qual Muro de Berlim

E cada soldado de elite patrulheiro rodoviário em calças de
equitação sob medida & capacete protetor
de plástico & revólver de coldre ornado
de prata

E cada radiopatrulha com armas antimotim & sirenese cada tanque
antimotim com cassetetes & gás lacrimogênio
E cada piloto de avião com foguetes &napalm sob as asas
E cada capelão que abençoa bombardeiros que decolam

E qualquer departamento de Estado de qualquer superestado que vende
armas aos dois lados

E cada Nacionalista em tanto faz que Nação em tanto faz
qual mundo Preto Pardo ou Branco
que mata por sua Nação

E cada profeta com arma de fogo ou branca e quem quer que reforce
as luzes do espírito à força ou reforce o poder
de qualquer estado com mais Poder

E a qualquer um e atodos que matam& matam& matam& matam
pela Paz

Eu ergo meu dedo médio
na única saudação apropriada

Prisão de Santa Rita,1968

Poemas de Antônio Cardoso(Angola)

DRAMA NA CELA DISCIPLINAR

A aranha monstruosa está com apepsia:
Dou-lhe a aorazada mosca sempre à hora habitual
Mas não galga o violino como já fazia,
Solerte, amarela e negro,para a fatal
Deglutição, e só já reage à terceira
Fumarada do meu cigarro.Enfim, zangada:
não me lenbrei ver se aquela insulsa rameira,
já tonta, qu elhe dei,estaria tocada
Pelo insecticida de horas anres.Farrricoco
De moscardos à boa vida ou domador
Falhado, restm-me as paredes e eu-oco
No cerne-estes fonemas a does, o calor
E o frio, a loucura os janízaros bem pouco
Amogos, a colite, os versos sem valor…

ABANDONO VIGIADO

ler O’Neil
aqui na prisão,
é como cuspir na careca dum burguês
(francês, portugês ou angolês,
tanto fez ou faz….)
empanturrado de consideração…
portanto, meu rapaz,
desculpa a sem cerimónia,
e puxa-me de cachimmónia,
o sumo de limão
do verso que te aparaz…

MAGO

chispa uma estrela
no isqueiro
-camarada rotineiro
de sonho avulso e barato
na minha cela-
e por um segundo
sou o mago, insulso,
aziago e pacato,
que neste dia amrgo
crispa na mão fechada
a mais bela e amada
estrela do mundo…

Fonte:Poesia Africana de Língua Portuguesa(Antologia)

Mais>>

Biografia Resumida

História da Poesia Angolana(60/79)

Manifestações Literárias Angolanas(doutorado Papparoto,T.A)

Beat (í) fico

AO LEITOR

(Denise Levertov)

Enquanto lês, um urso branco preguiçosamente
mija, pintando a neve
de amarelo;

Enquanto lês, muitos deuses
se estendem entre cipôs:olhos de obsidiana
espiam a geração das folhas;

Enquanto lês,
o mar revolve suas páginas escuras
revolve
suas páginas escuras

♫ ♪

A HORA DO GAMBÁ (Robert Lowell)

(para Elizabeth Bishop)

Lá em sua morada
pelo inverno todo ainda mora a solitária senhora herdeira
da Ilha Nautilus:
suas ovelhas ainda pastam nas colinas acima do mar.
seu filho é um bispo.Seu vigia,
eminente membro de nossa comunidade;
ela chegou à senilidade.

Ansiado por
um sossego sacerdotal
como do século da Rainha Vitória,
compra mil coisas,
máculas que guardam sua praia,
e deixa que se desfaçam.

A estação está doente-
perdemos nosso milionário verão,
aquele que aprecia ter saído duma revista de modas.
Seu escaler foi leiloado a pescadores.
Um vasto vermelho vivo veste a Colina Azul.

Agora o nosso efeminado
decorador limpa sua lojinha para o outono;
sua rede de pescar está cheia de enfeites, rolhas alaranjadas,
e amarelas como seus banquinhos e corujinhas;
bugigangas sem venda,
ele gostaria mesmo pe de se casar.

Numa noite escura
meu Ford trepou até o topo da colina;
procurei carros de namorados.Luzes baixas,
estavam alinhados juntos uns dos outros, casco contra casco,
onde os gavetões do cemitério da cidade…
Minha mente está doente.
Um rádio choraminga
“Amor, ó displicente amor…”Ouço
minha alma doente soluçar em cada gota de sangue,
como se minhas mãos estangulassem
cada uma de suas gargantas…
sou o próprio inferno;
não há ninguém aqui-
somente gambás que procuram
o que devorar á luz do luar.
Caminham passo a passo até o Centro
listras brancas, chamas vermelhas de olhos lunáticos
da Igreja da Santíssima Trindade.

Fico de pé na sacada dos fundos
e respiro ar puro-
uma gambá com uma fieira de filhotes fareja restos de comida
numa lata de lixo.Mete sua cabeça de espátula num pote
de creme de leite,abaixa sua cauda de avestruz,
e não se deixa assustar.

♫ ♪

 1ª FESTA NA CASA DE KEN KESEY COM OS HELL’S ANGELS

(Allen Ginsberg)

negra fria noite atravessa rubro bosque
carros dormem lá for ana sombra
atrás do portão, estrelas se apagam sobre
o barranco, arde o fogo perto da varanda,
e em jaquetas de couro preto
algumas almas cansadas se curvam.Na imensa
casa de madeira, um lustrre amarelo,
às 3 da manhã o estouro dos alto-falantes
hi-fi Rolling Stones Ray Charles Beatles
Jumping Joe Jackson e 20 jovens
se contorce4m ao som que vibra pela sala,
um pouco de erva no banheiro, garotas em malha cor de sangue,
um homem maciço e macio sua nessa dança sem fim,
latas de cerveja atiradas no quintal,
a figura de um enforcado pende de um galho sobra o riacho,
crianças dormem mansas em beliches,
e, além do portão, 4 patrulas estacionadas,
luzes vermelhas revolvem nas folhas.

♫ ♪

FUGINDO, ÁS PRESSAS, DA TERRA

(Robert Bly)

os pobres, os aturdidos e os idiotas
estão conosco:vivem no ataúde do sol
e no esquife da lua,enquanto eu saio esta noite
vendo-a rodar seu escuro carrinho de mão
por toas das várzeas do céu
e as estrelas se alçando inexoravelemente
negra lua!sinistras lágrimas!
sombra dos cortiços e dos triunfantes mortos!

alguns homens perfuram o peito com uma  extensa agulha
a fim de que seus corações cessassem de bater
outros deitaram blocos de gelo em suas camas
para ali se finarem.mulheres
os cabelos lavaram, e se enforcaram
nas suas longas tranças.uma outra subiu
num alto olmo sobre seu gramado
abriu uma caixa, e engoliu aranhas venenosas…

o tempo de exortação já passou.Ouvi
cadeiras de ferro arranhando o chão em hospícios,
enquanto o pássaro, transido de frio, encolhe-se no inverno
na noite ventosa de novembro.
os mineiros deixam seus poços
como uma súbita enchente,
como um arrozal desintegrando-se.
os homens choram quando escutam estórias de alguém ressurgindo
dentre os mortos

FONTE: “Nova Poesia norte-americana Quingumbo”,Kerry SK(org)-1980

Sobre Cinzas(sur cendres)

Recuperemos de início a atmosfera a um só tempo brumosa e seca,desgrenhada,onde desde que incessante a cria, o cigarro está
sempre enviesado.

A seguir, sua pessoa:uma pequena tocha muito menos luminosa
que perfumada, de onde se destacam e caem, em ritmo a determinar,
um número calculável de pequenas massas de cinzas.

Por fim, sua paixão:esse botão em brasa, escamando películas
prateadas, que uma bainha logo formada das mais recentes circunda.

*

Crestado em seu declínio nosso bolo de quimeras, as primeiras vigílias do tempo rival apareceram diante dos olhos.Nada de limusine negra para nos arrebatar em seu rasto presunçoso.Destituição vale posse.

Uma fina poeira noturna mal perturbava o buço de teu querido rosto adormecido.O que vinha das estrelas não era teatral, mas observado.Minha timidez renascia sob aparências impecáveis que as geadas concedem às ervas em repouso no reverso dos planaltos glaciais.

O sofrimento comum apesar do aguilhão dos ecos rarefeitos, cantava o hino hialino.

A ovação final não foi para uma meia-luz sepulcral, mirífica vidraceira, mas para uma fileira de enguias com pressa de trocar o regato natal pelos rios de paredes desiguais.Lá, se agrupam os mieiros.No leito da corrente, passa o sangue, o virtuose do retorno.

*************

Poemas:

 O Cigarro- O partido das coisas(Francis Ponge) 

Longe de nossas cinzas-O nu perdido(René Char)

 

Poesia Argentina (70’s)

 

Domingo 

Hoy es domingo em todas partes y a la tarde
Domingo em tu telefono
Domingo em los cenicientos suplementos
Literarios
Domingo em los corazones francos
De lãs mucamas y de lãs señoras com mucamas
Domingo em lãs cancillerías
Domingo em lãs barbas de los borrachos
-hermosas,canas,tristísimas
como um espejo abandonado
es el terrible dia em que Dios descanso
dia frio, ateo y peligroso
em que Dios dencansó como um banquero
hoy tengo um lugar donde caerme muerto
pero no lo tengo para vivir

Domingo 

Hoje é domingo em toda parte e à tarde
Domingo no teu telefone
Domingo nos cinzentos suplemento
literários
domingo nos corações livres
das empregadas e das senhoras com empregada
domingo nas chancelarias
domingo nas barbas dos bêbados
-belas,grisalhas,tristíssimas
como um espelho abandonado
é o terrível dia em que Deus descansou
dia frio, ateu e perigoso
em que Deus descansou como um banqueiro
hoje tenho um lugar onde cair morto
mas não tenho para viver

(Fernando Sánchez Sorondo)

 

*****

 

Última Sinfonía 

Sorprendido por Mozart a las 9
Em um callejón a bordo
De um viejo automóvil
Miro el humo sobre los techos
El árido terraplén
Um gato que se desentumece
Junto a um poço de agua estancada
No se produce ningún cambio
Aunque el aire pueda llamarse
– gracias a Mozart
matinal-
la paz em la corrupción
por um momento sea

Última Sinfonia

 

Surpreendido por Mozart às 9
Num beco a bordo
De um velho automóvel
Olho a fumaça acima dos tetos
O árido repleno
Um gato se espreguiça
Junto a um pouco de água parada
Não se produz mudança alguma
Embora o ar possa dizer-se

-graças a Mozart
matinal-
a paz na corrupção
por um momento seja

Jorge Ricardo Aulicino

Fonte:-A palavra nômade:poesia Argentina dos anos 70 –

Poesia de James Joyce-“Pomas, um tostão cada

Esse é o título da segunda coletânea de poesias do autor de “Ulisses” e “Finnegas Wake” publicada no Brasil em 2001. Para os “estudiosos” ,essa é uma obra (com o perdão do clichê) que arranca o autor de sua concha,
nas palavras do Tradutor Alípio Correia:

“uma obra em constraste com a muralha intransponível, de caráter impessoal, dos escritos em prosa.Uma verdadeira glorrificação do homem comum seus versos são o lugar onde é possível vislumbrar as inquetações do homem Joyce, o espaço através do qual sua dor e fragilidade continuaram a minar ao longo de sua vida…”

Segue uma pequena amostra pra vcs frequentadores assíduos do site cmo o Rafael Coelho o’clock e tbm p/ vcs que “comentem erros ao digitar a URL”

Nightpiece

Gaunt in gloom,the pale stars their torches,

enshrouded,wave

ghostfires from heavens

far verges faint illume,

arches on soaring arches,

night’s sindark nave

Seraphim,

the lost hosts awaken

to service till

in moonless gloom each lapses muted,dim,

raides when she has and shaken

her thurible.

and long and loud,

to night’s nave upsoaring,

a starknell tools

as the bleak incense surges,cloud on cloud,

voidward from the adoring

waste of souls

Noturno

Lúgubres na penumbra,estrelas pálidas o archote

amortalhado ondeiam

Dos confins do céu,fogos-fantasmas alumbram

arcos sobre arcos que se alteiam,

nave pecadobreu da noite

Serafins,

As hostes sem norte despertam

para o serviço, até que tombem

na penumbra sem lua,mudas,turvas, ao fim,

assim que ela erga e vibre inquieta

o seu turíbulo

e alto,longo,á turva,

sobrelavada nave,

a estrela-sino tange,enquanto, calmas,

as espirais do incenso ascendem,nuvem sobre nuvem,

rumo-ao-vazio, do venerável

resíduo de almas

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BAHNHOFSTRASSE

the eyes that mock me sign the way
whereto i pas at eve of day,

grey way whose violet signals are
the trysting and the twining star

ah star of evil!star of pain!
highheart youth comes not again

nor old heart’s wisdow yet to know
the signs that mock me as I go

BAHNHOFSTRASSE

Olhos que zombam mostram com sinais
a rua em que ando enquanto a tarde cai-

a rua é turva, e seus sinais,violáceos-
a estrela do encontrar-se e do apartar-se

estrela má!da pena!a idade moça,
do coração pleno de alento,foi-se,

e falta um velho e sábio para entender os
sinais, que me acompanham zombeteiros

nota do tradutor: BAHNOFSTRASSE é o nome de uma rua de Zuirique(SUI) onde um ano antes de escrever o poema JJ teve um “ataque” de glaucoma necessitando de uma intervenção cirúrgica nos olhos .

nota minha: O glaucoma,resumidamente,é uma doença que deriva do aumento da pressão sanguínea no globo ocular