Depois do poemão

 
Heloisa  Buarque de Holanda

Em meados dos anos 70, como sempre com a maior propriedade, Cacaso declarava: “Estamos todos escrevendo o mesmo poema, um poema único, um poemão”.

Havia, claramente, certos sinais no ar que a literatura captava e poetava, ainda que se evidenciassem variações no alcance crítico e lírico desse poemão. Um sufoco, um mal-estar – substancialmente diversos do voluntarismo e da euforia da década anterior – abria, a berro e a soco, o lugar para a fala e para a urgência de se experimentar a poesia no dia-a-dia. Aqui, não se tratava apenas da poesia com a marca suja da vida. Percebia-se um esforço para agir e viver a definição de um cotidiano especial, descompromissado, desburocratizado e bem-humorado. Era o que principalmente se registrava no poema síntese, instantâneo, no poema muito e qualquer coisa. Na poesia que se experimentava a toda hora e em todo lugar.
Ainda Cacaso, dedicando a Chico Alvim:
Poesia
eu não te escrevo
eu te
vivo
e viva nós!

Assim, poesia e vida se casavam promovendo uma prática que, longe de ser pacífica, tentava com vigor crítico algumas respostas ao momento negro que experimentávamos. Surge uma multidão de poetas, cria-se um público, inventam-se formas independentes de produção, distribuição e veiculação para a literatura. A alegria e o humor como guerrilha. Por maiores que se mostrassem as diferenças entre os poetas e grupos emergentes, Cacaso estava com a razão: o poema era único. A grande novidade desse poema, e também sua maior força, vinha no deslocamento de eixo da crítica social que passava a se atualizar na experiência individual, no sentimento, na subjetividade. Mudança que soube ser perigosa e, certamente, política.

É possível se pensar a poesia marginal dos anos 70 em várias direções. Fico aqui com um de seus aspectos: um espaço de resistência cultural, um debate político. Em pleno vazio, os jovens – e os não tão jovens – põem em pauta os impasses gerados no quadro do Milagre e desconfiam progressivamente das linguagens institucionalizadas e legitimadas do Poder e do Saber. Simultaneamente, evidencia-se na produção novíssima a significativa reavaliação de um certo sentimento que informou o engajamento político e cultural pré-68. Instala-se a ênfase na importância das questões relativas à prática cotidiana, à dúvida e à descrença nos programas, no alcance do projeto revolucionário na arte e, por extensão, nas formas da militância política tal como foram encaminhadas pela geração anterior. Inventam saídas, criam alternativas. À revelia das Academias, a literatura se impõe e se alastra de maneira surpreendente, numa hora em que o debate político e cultural, a muito custo, conseguia abrir brechas apenas nos chamados circuitos alternativos. Nesse sentido, pode-se afirmar que, hoje, a imprensa nanica seja a grande fonte de pesquisa para a história da cultura nos anos 70. Espaços como o Parque Lage – gestão Rubem Gerschman – fazem parte dessa história. História da maior importância e ainda não analisada suficientemente; que só agora começava a ser compilada de modo sistemático no excelente trabalho do centro de Cultura Alternativa sob a coordenação de Maria Amélia Mello.

Confesso que é com uma forte sensação de estranheza que me vejo aqui tratando a produção marginal como uma história de certa forma distante. Onde estão, hoje, os marginais? Não me refiro aos poetas. Para lembrar apenas o grupo Nuvem Cigana, com o qual trabalhei mais diretamente, é possível responder: Charles, Chacal, Ronaldo e Bernardo continuam produzindo intensamente, seus trabalhos cresceram em tamanho, forma e substância; são poetas. Chico Alvim, Cacaso, Eudoro Augusto, Afonso Henrique, Luiz Olavo Fontes e Pedro Lage (que, ainda que sempre tivessem manifestado uma dicção própria frente à produção marginal, sem dúvida participaram desse debate) preparam uma supercoleção a ser lançada em breve, o que será para a literatura um acontecimento da maior importância. Por outro lado, na área jovem, a poesia independente prolifera. Seu traço prinicpal: a produção em grupo. São os poetas de comunidade, de associações de bairro, de organizações, de periferia. Seu objetivo mais explícito: uma poesia popular, para ser lida e ouvida. O tipo de publicação mais recorrente: antologias. Trajetória semelhante vem conhecendo a imprensa alternativa hoje,basicamente associada a organizações e Partidos. Tanto a poesia independente quanto a pequena imprensa de agora evidenciam um projeto distinto das artimanhas e propostas originais da poesia marginal.

‘Nunca se perguntou tanto quanto agora sobre o papel e a função do intelectual no Brasil dos nossos dias’

Onde teria ficado o poemão que Cacaso identificava há um tempo atrás? Não creio que tenha simplesmente se evaporado no verão quente da Abertura. A vitalidade dos temas que trouxe para o centro das discussões sobre arte e cultura denuncia no mínimo como ingenuidade a hipótese de que esse poemão se tenha dissolvido como um modismo passageiro. A crítica social mais ligada ao cotidiano e à individualidade foi, inegavelmente, um avanço em termos do debate cultural e político, além de responder, com eficácia, ao sentimento generalizado de falência e de fracasso que os 70 conheceram. Dificilmente um próximo passo poderá ignorar a quantidade de aquisições e experiências dessa geração. Ao mesmo tempo, parece que esse próximo passo torna-se urgente. Particularmente a partir de 1978, com as alterações político institucionais promovidas pelo projeto de abertura, torna-se sensível a redefinição de espaços e papéis no interior da produção cultural. A retomada do discurso político direto na imprensa, a reorganização das entidades sindicais e estudantis, os movimentos de massa, a novidade das associações de bairro mobilizam os debates e retiram da literatura e da produção cultural em geral o privilégio de ter sido, por um bom tempo, o espaço por excelência da discussão sobre a realidade e o momento brasileiro. Em toda parte, a necessidade de formas mais explícitas de politização dos temas que há pouco eram, a muito custo, captados em entrelinhas. Não foi acaso o extraordinário sucesso dos trabalhos de Fernando Gabeiro, mesmo levando em conta suas inegáveis qualidades literárias. Em termos do projeto que a juventude atualizava na década passada, o caso Gabeira organizou, ou melhor, colocou alguns pingos em vários ii, principalmente no que se refere à articulação desses temas com uma prática política. Ainda via Gabeira, o que veio em boa hora foi a liberação de um trânsito menos engarrafado para as idéias sobre a subjetividade, a sexualidade, as minorias, as drogas, e mesmo o prazer, junto a certos setores de esquerda mais tradicional. Começa a se desfazer, de alguma forma, a acusação ortodoxa acerca da “irresponsabilidade e alienação da geração AI-5″.

Por outro lado, consolida-se a necessidade do tratamento desses temas a nível de uma discussão explicitamente política. É a conhecida virada do Verão 80. Já nesse verão podiam ser notados alguns sintomas expressivos. Um grupo com o Asdrúbal Trouxe o Trombone, no maravilhoso espetáculo Aquela Coisa Toda, imperdoavelmente mal compreendido pela crítica, registra a consciência da oportunidade de suspender a festa e repensar o que foi aquela coisa. Simultaneamente, o supermaginal Sérgio Santeiro, com Rubem Gerschman, nos dá o longo e denso poema Os Desaparecidos, testemunho de geração que deve ser relido e revisto. São algumas pistas de que a temperatura ia mudar. Aqui uma outra pergunta não tão ao acaso: a quantas anda a Universidade Brasileira, território por excelência da mobilização jovem e da reflexão dos anos 60? Qual sua significação hoje? Ouve-se com freqüência a queixa do esvaziamento, da fragilidade e de um tom nostálgico na linguagem das reivindicações estudantis. A carreira docente, por sua vez, é vista e sentida como desconfortável e, sobretudo, insuficiente no sentido de ser o campo inadequado para o projeto intelectual mais recente. Não é raro que esse projeto se queira transpondo este espaço e mesmo se desvinculando desta forma. Em certos setores esses traços são identificados como despreparo físico de docente e discentes. Entretanto, esses mesmos alunos e professores reconstroem a UNE e se articulam em associações docentes fortes e, como a greve dos professores universitários comprovou, com alcance e desenvoltura de mobilização e prática política. Talvez o mais adequado fosse indagar: haverá no quadro do processo político atual alguma ressonância possível para as questões que a universidade possa propor? ou a universidade confina-se hoje em mero território acadêmico sem qualquer alcance político? O Ministro Portella pede demissão e promete um livro sobre o Intelectual e o Poder.

Enquanto o espaço institucional da Universidade se mostra pouco atraente e de curto alcance, a ênfase na individualidade que o poemão dos 70 encampou se revela carente de vigor para responder ao momento e vai perdendo a força como eixo de discussão. A poesia volta à literatura a e se torna exigente. No campo do debate cultural, a dificuldade em se fazer prognósticos. Alguns céticos propõem o maconho-populismo. Outros, otimistas, conseguem identificar nesse slogan de evidente má-fé alguns índices de uma discussão mais conseqüente que deverá crescer e permear a produção cultural dos 80. Um saldo positivo: nunca se perguntou tanto quanto agora sobre o papel e a função do intelectual no Brasil hoje.

Em tempo: será possível evitar, no encaminhamento dessas questões, a avaliação do alcance e da vitalidade do “silêncio” dos 70?

TUDO AQUILO QUE ESTÁ NO AR

Cinco livros publicados, alguns em co-autoria, 40 anos, Mestrado e Doutorado em Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro depois de uma graduação em Grego na PUC, Heloísa Buarque de Holanda passa, a partir deste número, a colaborar mensalmente com JORNAL DO BRASIL, seção Livro, abordando em seu primeiro artigo a poesia marginal, objeto sistemático de estudos que vem realizando desde os anos 70.

Professora no curso de Mestrado em Comunicação na UFRJ (o Nacional Popular), autora de um programa) na Rádio MEC (Café com Letra, juntamento com Ronaldo Santos), Heloísa prepara agora uma antologia, com Armando Freitas Filho, sobre a poesia desaparecida, ou seja, o que se criou e, apesar da qualidade, não vingou dos anos 20 para cá.
– Não vou escrever crítica literária. Tentarei apreender o que está no ar no debate cultural e dar as pistas. Atacaram um pouco o meu último livro, Patrulhas Ideológicas, por não oferecer uma tomada de posição. Mas defendo este meu jeito de trabalhar, de fazer um trabalho que alinhava pistas e confrontos, uma coisa, ao final, meio fragmentada.

Embora inicie sua colaboração com um artigo sobre a poesia marginal, Heloísa Buarque de Holanda acha que falta, no momento, um gancho para este tipo de poesia, muito importante nos anos 70.
– A conversa sobre poesia marginal está um pouco diferente. Foi quente nos anos 70, questionou muitas coisas indiretamente, mas agora há outras questões fervendo no ar. Não dá mais para ficar só na desconfiança, tem muita coisa sendo articulada, tem gente nova. O que constituía agora uma alternativa de produção independente é o disco, mas na Literatura os mais novos estão batendo às portas das editoras, em busca de maior circulação do que foi escrito.

Heloisa não acredita que os poetas marginais tenham modificado sua atitude, que a tenham revisto e estejam entrando no processo comercial. Mas os poetas que estão surgindo, sim. E acrescenta:
– Os tempos não estão para improvisação, mas para uma definição. Estão aí, no ar, questões como a da mulher, das maiorias, mais localizadas, menos difusas. A pequena imprensa, depois de ter perdido uma fatia para os grandes jornais em conseqüência da abertura, está se setorizando. E há hoje muitos jornais de sindicatos, de comunidades, de Partidos. Coisas vivas que não podem ser ignoradas.

Professora desde 1964, Heloisa Buarque de Holanda dá aulas de Fotografia no curso de graduação da UFRJ em Comunicação Social, fez televisão, está finalizando um longa metragem sobre Alceu Amoroso Lima – com o apoio da TVE e da Embrafilme -, iniciado em 1977, e deu ultimamente vários curtas, inclusive um sobre Joaquim Cardozo.

Seu primeiro livro, 26 poetas Hoje, foi lançado em 1976. Seguindo-se Macunaíma, Balanço dos Anos 70, em co-autoria, Impressoões de Viagem e Patrulhas Ideológicas, escrito com Carlos Alberto Messeder Pereira. Enquanto prepara a antologia sobre poesia desaparecida, muito documentada e com o clima de época, pensa em trabalhar, a partir de março, num levantamento do que a mulher escreve e não escreve e o discurso e a linguagem dos movimentos feministas.
– Escrevi para algumas revistas especializadas, também para o jornal Opinião, e meu fascínio pelo jornalismo é muito grande. Mas a minha linha de trabalho será a mesma que venho percorrendo nestes anos todos: apreender o que está no ar, transmitindo o que penso de uma forma meio jornalística, meio confessional.

Fonte: Caderno B (JB – 13/12/1980)

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Cascata de chumbo/Anedota panfletária

Cascata de chumbo

Dos bastidores da esplanada brota o intento,
A armada catalisa o estado de golpe;
Inapelável ao lapso populista; inconstitucional!
O assíndeto da consciência a nevralgia

Institucionalizada, para exaurir o apetite da foice.
Para que fique frio o direito à propriedade;
o brio da farda.Pois anfótera é a hospitalidade do Dops;
Que serve à mesa sempre suas meias palavras.
E transuda nos salões a cascata de chumbo!

Maniqueísta, como os privilégios da militância;
A mecânica do dínamo; a derrocada da pele; a infuncionalidade dos olhos.
O ferrolho no inventário esmaecendo em definitivo as queixas.

Enquanto aprazível segue o baile de ARENA,
Do milagre movido ao capital estrangeiro,
Como o amor subversivo em seu foguete;
As tardes insípidas aos pés da madastra pátria!

Pela anistia prontamente exclamam sirenes!
Do Araguaia aguerrido, até trincheiras não mapeáveis dos sindicatos.
O brado do repórter enlouquecido:

“Abandonem os bunkers, desfaçam as barricadas, as ilhas!
Descansem as fileiras do contragolpe, os escudos do choque;
Pois já expiraram todas as coimas; a flâmula auri-esmeraldina se hasteou.
Desta vez sem uma segunda intenção, alarme de bomba, conspiração!

Venham todos receber a hóstia; o abraço caloroso do cruzeiro
O direito pecuniário que promete toda cicatriz ressarcer;
Mesmo aquelas já pertencentes aos umbrais da perpetuação!”

E assim parece-me agora que de modo oportuno, virou-se a página;
Duma geração ressentida, ainda á procurar por aquele auto-retrato,
Talvez só um pouco menos melancólico, para que possam entoar:
-“Liberdade!”. Com a boca cheia que a incensura permite.

E assim parece-me agora que finda-se um épico;
Onde com o discurso foram superadas as armas;
E parece-me agora que o tempo domou o espírito da mobilização,

E parece-me que agora o que se molda é a sátira;
Do voto de meio minuto,
das múltiplas improbidades,
da impressa de circo,
das quixotices esquerdistas;

Das ruas, dos viadutos, que servem apenas para transitar;

Sendo assim no saldo da batalha, no tramitar dos precatórios,
Na contabilidade da história,
Ainda são os danos superiores aos lucros!
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EMERGENTE ANEDOTA PANFLETÁRIA

Minha pátria é o sangue miscigenado,
a aura modernista e o anseio reformista.
Bem longe desse status de emergente,
que quer ladrar do auto- “SUPERPOTÊNCIA”!

Porque americanizaram a bossa,
vão patentear a mulata ,e ainda querem,
fazer da Amazônia um DRIVE IN!

Porque às vezes me falta até um chinelo,
querem me estratificar no quociente indigente,
carente de projetos sociais que escondem,
a disparidade nas corcovas do CUSTO BRASIL!

A prometida aurora nunca chega,
por isso fecho a válvula panfletária,
para que possa a miséria em paz imergir,
nos anseios do CAPITAL ESPECULATIVO!
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(fotos:26 de Junho,Rio de Janeiro;Cinelândia a passeata dos 100 mil,
fonte:Klick educação)

Mais um aniversário da vegonha do holocausto

01/05/2008 – 09h19-Folha Online

Estudantes brasileiros participam de marcha que lembra Holocausto

MARIANA CAMPOS
da Folha Online

Milhares de pessoas devem refazer, nesta quinta-feira, o mesmo percurso feito por vítimas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) entre o campo de concentração de Auschwitz e o campo de extermínio de Birkenau. Esta é a idéia da Marcha da Vida [idealizada por um sobrevivente para lembrar as vítimas do Holocausto] que, em 2008, completa 20 anos.

Neste ano –em que também serão comemorados os 60 anos da criação de Estado de Israel–, o evento dará origem a um livro-fotográfico e a um documentário. Cerca de 400 brasileiros participarão da marcha e, destes, 200 são jovens interessados em conhecer a história do Holocausto.

Uma delas é a estudante brasileira Joelle Hallak, 17, que embarcou para a Polônia ao lado de colegas da escola judaica em que estuda em São Paulo. “Estou ansiosa. Conheço bastante da história porque a escola nos ensina, mas ver as coisas de perto deve ser bem diferente”, afirmou Hallak à Folha Online na última sexta-feira (25), dias antes de embarcar para a Polônia.

A marcha ocorre anualmente em Iom Hashoá ), neste ano comemorado no dia 1º de maio. O evento faz parte de um programa educacional que tem como objetivo fazer com jovens judeus conheçam mais da história de seu povo, visitando os locais onde a vida comunitária judaica acontecia antes da Segunda Guerra, assim como campos de concentração e extermínio na Polônia ocupada.

5.mai.05/Laszlo Balogh/Reuters
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Com bandeiras de Israel, participantes da marcha passam pelo portão de Auschwitz

A primeira etapa da viagem de aproximadamente 15 dias –que neste ano será realizada entre os dias 28 de abril e 11 de maio– acontece na Polônia, onde os participantes visitam campos de concentração e extermínio usados durante o regime nazista.

A segunda etapa acontece em Israel, onde os participantes comemoram o Iom Hazicaron (Dia da Lembrança, em que são lembrados os soldados que morreram nas guerras em defesa de Israel) e o Iom Haatzmaut (Dia da Independência).

“Sei que vamos visitar crematórios, câmaras de gás e ver objetos que pertenceram aos judeus mortos na Segunda Guerra”, diz Hallak, que afirmou ter conversado com pessoas que já participaram da marcha na tentativa de amenizar a ansiedade.

Choque

A estudante de direito Caroline Lerner Castro, 18, é uma das brasileiras que já participou da marcha. Ela fez a viagem no ano passado. “Pensei que era importante, mas não sabia que veria o que vi”, disse. “Quando falamos sobre o Holocausto, as pessoas sabem o que e como aconteceu, mas ver é totalmente diferente”.

Segundo ela, visitar os campos de concentração e de extermínio foi surpreendente e chocante. “Havia um campo de extermínio chamado Majdanek, que não foi destruído pelos alemães no final da guerra. Foi chocante. Entramos na câmara de gás, fomos ao crematório, vimos os fornos. Foi horrível”, disse.

“Em Auschwitz tinha as malas das pessoas, uma pilha com cabelos, óculos. Em Majdanek tinha uma sala só com os sapatos usados pelas vítimas”, afirmou a estudante judia.

Castro disse ainda que chorou em vários momentos da viagem –em especial quando viu as cinzas das vítimas. Para ela a marcha foi uma experiência “emocionante”. Segundo a estudante, as pessoas fazem o percurso de 3 km entre Auschwitz e Birkenau à pé, cantando, carregando bandeiras e divididas em delegações dos países que estão participando.

Segundo a estudante, a viagem serviu para que suas raízes ficassem mais fortes. Ela sempre estudou em escola judaica e, neste ano, resolveu fazer o Pessach (Páscoa judaica), em que há alimentos obrigatórios e outros que não podem ser consumidos. “Você vê o que as pessoas passaram e agradece por ter sobrevivido”.

Livro e documentário

As histórias de sobreviventes do Holocausto e da Marcha da Vida serão, neste ano, registradas em um documentário e em um livro-fotográfico idealizados pelo publicitário brasileiro Márcio Pitliuk.

“No ano passado, pensei em ir [à Marcha da Vida]. Mas, quando decidi, estava muito em cima da hora. Aí pensei: em vez de ir simplesmente, já que trabalho com comunicação, vou registrar a marcha”, disse Pitliuk, que é judeu, à Folha Online.

Ele entrou, então, em contato com a organização mundial da Marcha da Vida –da qual participam cerca de 40 países–, pedindo autorização para registrar o evento, e descobriu que nesses 20 anos, ninguém nunca fez algo semelhante.

Com a obtenção da autorização, ele começou a organizar o projeto, que tem custo estimado de R$ 3 milhões. Segundo Pitliuk, o livro-fotográfico terá 200 páginas e será escrito em cinco línguas (inglês, português, francês, espanhol e hebraico). As fotos serão feitas pelo fotógrafo Márcio Scavone e o texto será do próprio Pitliuk.

Já o documentário terá aproximadamente uma hora e meia de duração e será dirigido pela americana Jéssica Sanders, indicada ao Oscar documentário em 2006.

História

Conhecido como um dos piores extermínios da história, o Holocausto –termo utilizado para descrever a tentativa nazista de exterminar os judeus durante na Europa nazista– teve seu fim anunciado no dia 27 de janeiro de 1945.

Convencionalmente, ele é dividido em dois períodos: antes e depois de 1941. No primeiro período, várias medidas anti-semitas foram tomadas na Alemanha e, depois, na Áustria. No segundo período, as medidas se espalharam por toda a Europa ocupada pelo regime nazista.

Durante o Holocausto, aproximadamente 6 milhões de judeus morreram. Só nos campos de Auschwitz e Birkenau, localizados em Oswiecim (sul da Polônia), morreram entre 1,1 e 1,5 milhão de pessoas, em sua maioria judeus. As vítimas morriam de fome, doenças ou eram exterminadas em câmaras de gás.

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Créditos:Folha online(Jornal Folha de São Paulo)

No Caminho, com Maiakóvski

Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!

Um viva aos 40 anos do AI5 nesse primeiro de maio

O Ato Institucional Número Cinco foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar nos anos seguintes ao Golpe militar de 1964 no Brasil. Redigido pelo Presidente Artur da Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968, veio em resposta a um episódio menor: um discurso do deputado Márcio Moreira Alves pedindo ao povo brasileiro que boicotasse as festividades do dia 7 de setembro. Mas o decreto também vinha no correr de um rio de ambições, ações e declarações pelas quais a classe política fortaleceu a chamada linha dura do regime instituído pelo Golpe Militar. O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi um instrumento de poder que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira conseqüência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano.

 

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As ordens mandadas cumprir pelo AI-5

O AI-5:

  • fechou o Congresso Nacional por prazo indeterminado;
  • decretou o recesso dos mandatos de senadores, deputados e vereadores. Estes ainda continuaram a receber parte fixa de seus subsídios;
  • autorizou, a critério do interesse nacional, a intervenção nos estados e municípios;
  • tornou legal legislar por decreto-lei;
  • autorizou, após investigação, decretar o confisco de bens de todos quantos tenham enriquecido, ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública, inclusive de autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista, sem prejuízo das sanções penais cabíveis;
  • O Presidente da República, em qualquer dos casos previstos na Constituição, poderá decretar o estado de sítio e prorrogá-lo, fixando o respectivo prazo;
  • suspendeu a possibilidade de qualquer reunião de cunho político;
  • recrudesceu a censura, determinando a censura prévia, que se estendia à música, ao teatro e ao cinema de assuntos de caráter político;
  • suspendeu o “habeas corpus” para os chamados crimes políticos;

As proibições de reunião e manifestações públicas de caráter político

Eis o Artigo que aborda este assunto:

Art 5º – A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:

I – cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;

II – suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;

III – proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;

IV – aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:

a) liberdade vigiada;

b) proibição de freqüentar determinados lugares;

c) domicílio determinado;

(fonte :wikipédia)

Mais Concretismos……

BISCOITO DA SORTE
Não
é por que
não aprendeu a
gritar que uma árvore
não sabe se impor à
tempestade
que aos
seus
galhos
maltrata!
****
LIRA DO INFORTÚNIO
————–Trepidando as orbitais
————————– a inquietação
——————————expõe o ventre
———————————juvenil á abnegação
————————————-dum ponto cego,
——————————-rebento que não vingou.
———————————————atroz anêmico,
—————————————no ato de perpetuar
————————————os nuances duma
——————————-matiz em mau fardo
—————————sujeito átono que passa
———————todo contexto da ação
——————espreitado pela
——————lira do infortúnio!
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Fabio Ricardo Vieira 2008