SEM PRAZO

capa do livro-poemas Maiakóvski( campos, H;campos,A. e Schnaiderman,B)
capa do livro-poemas Maiakóvski( campos, H;campos,A. e Schnaiderman,B)

“Primeiro é preciso transformar a vida, para cantá-la em seguida.”

V. Maiakovski


Já deveria mutilar aquele verso,
Que no berço, cerra o punho, irrequieto
O feto confesso do mau intelecto.
Meus sonhos de fortuna ao peito, transverso!
 
Oh!Pedante clamor da ascensão moral,
Mergulho todo mau verbo á etiqueta.
Direto a correnteza armo olhos de seta
Pra á curto prazo desonerar teu aval!
 
Dispo-me a zona de conforto tal qual
Maior pupilo do conservadorismo
Sucumbido a uma trama incidental.
 
Por estar em um momento tão disperso,
Dos prazos e das metas do consumismo:
Sou tentado a libertar todo universo!
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Soneto Descompassado ao Fenecimento

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“A podridão me serve de Evangelho…”

(Augusto dos Anjos)

Nos tempos mais vernos uma alegoria
Pára sorrateiro em frente o solar
Um vulto agreste que vem assolar
Despir a meninice de sua glória

E o que sobra é,sempre amaro,memória
Coagida por receios, por ausências
Furta o ser de plenas experiências
Nunca o agraciando com euforia

Por isso o élitro jaz bem hermético
À cesurar, em descompasso, o busto
Que ostentava outrora o epíteto augusto!

Salienta o hirsuto traste, zoomórfico:
Invejar o aprumo eterno de querubim
Nas bochechas salpicadas de carmim

**

texto ref.

introdução:

Monólogo de uma sombra,”Eu e outras poesias”Augusto dos Anjos.

imagem:

Prohibited Book, Luis Royo-artista gráfico espanhol

Elegia para Safo

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"Charles August Mengin- retrata Safo no leito de morte(1867)"

“a morte não é um bem
os própios deuses o sabem

eles preferiram viver”

( Safo de Lesbos )

Se com agre vinho saúdam corjas;
Que evocam em tua lânguida postura,
Pelos desprazeres de vã ternura:
A lírica do teu calvário em rosas!

Que sejas, ó Safo, para ti alento,
O fremir dos teus excertos fecundos!
No anuviar dos transbordos entre mundos,
Guarda em teu seio, eficacíssimo ungüento!

Vislumbro-a, ó Safo, como alma cerviz,
Que enfadou dos deuses em tolo matiz,
E agora, na íris, foco-te em ardor!

Que conspiraria: todo o Olimpo à favor,
Vestir mortalidade! Se emanar:
Por Lesbos, nos lábios ao aconchegar!

SILVICOLA…O Q É ARTE O Q É POESIA?PQ ESCREVER?

 

Se antítese metaforiza
Nem todo canto universal
No parapeito harmoniza
Anacoluto em flexão verbal

Primar pelo louvor
Em bocejos de parvoíce
Aclamar por estupor
Antologias de parolice

O contestador a papila priva
Que co’a arte simplória contenta
Já ao símio se alimenta

Com tudo que lhe assemelha
Já ao silvícola não importa
Onde a critica lhe enfoca

“Ao poeta cabe a palavra final, sentir, sinta quem lê(Fernando Pessoa)