Haikai

Na lenda coreana
escorrem  as lágrimas-
sobre azaleias

 

Este haikai é inspirado no poema coreano “Azaleias”(1925) escrito por Kim So-wol.

O poema tem como base a lenda em que um camponês tem sua amada transformada em azaleia, flor tipica da Coréia do Norte. Azaleia significa:”flor que nasce na terra seca”

 

Azaleas

When you turn away from seeing me
and go,
gently, without a word, I shall send you away.

From Mount Yak in Yongbyon,
azaleas
I shall gather an armful and scatter them on your way.

Step after step away
on those flowers placed
before you, press deep, step lightly, and go

When you turn away from seeing me
and go,
thought I die, no, not a single tear shall fall.

 

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Poesia corena: Sijô a poesia clássica

Uma das principais vantagens em habitar uma metrópole como São Paulo, è que ,apesar de tudo, a cidade transborda Cultura. Um exemplo disso aconteceu comigo recentemente, quando ao me abrigar da chuva  topei com uma exposição a respeito do alfabeto e da literatura coreana, no espaço literário “Haroldo de Campos” na paulista.Então,após uma palestra da especialista em língua coreana e tradutora Yun Jun Im,  resolvi aprofundar-me nas pesquisas e começar á postar algumas descobertas aqui na net:

Introdução

Primeiramente digo a vocês que o povo coreano possui um alfabeto próprio o Hangul, como informação relevante para a diferenciação do idioma da Coréia(e nesse caso não importa a discriminação politíca em Norte e Sul, porque  até 1953 só existia uma Coréia) com os outros idiomas orientais.

A história do Sijô nos remete a uma época em que o governo da península corena se dava pelas grandes Dinastias, entre elas a Koryó(918-1393) e a Yi(1392-1910).E começa uma fase de transição filosófica do Budismo para o Confucionismo.

Sobre o Sijô

O Sijô era uma arte restrista aos nobres e politícos,consolidando-se como arte no séc XIII de nossa era, e tradicionalmente repassado ao povo por tradição oral. A estruturação original básica do Sijô são 3 versos e em média 45 sílabas. Nas traduções para a língua portuguesa essa estrutura foi modificada para 3 estrofes e quatro grupos frasais(essa modificação foi feita para aferir o aspecto de correspondência entre o o diagrama sonoro original-melodia e fala).
As temáticas recorrentes nos sijôs são:- os dilemas e regras comportamentais do homem dentro dos ensinamentos do confucionismos; e posteriormente após sua popularização no séc XVIII- as temáticas amorosas, e de comtemplação da natureza.

(Fonte:texto elaborado com pesquisas e palestra e também com informações obtidas na antologia “Sijô:poesiacanto coreana clássica” de autoria de Yun Jung Im e Alberto Marsicano com colaborações especiais de Haroldo de Campos)

Alguns sijôs selecionados:

O sol se põe
no oeste
O rio deságua
no Mar do Leste

Os heróis
de todos os tempos
se findam
nos mausoléus

Deixa:é o curso natural de ascensão e queda
Haverá um modo
de detê-lo? (Tchwe Tchung-984-1068)

Dois budas de pedra
frente a frente
sem roupa
sem comida

sob o vento
sob a chuva
neve
geada

Ainda assim os invejo pois não conhecem
a dor humana
da separação (Jóng Tchór-1536-1593)

Reflexo
sobre a água:
Um monge
cruza a ponte

Monge,
um momento:
para onde
vais?

Apontou então a nuvem branca
e partiu
sem mais( anônimo)

Não te importes
em estender a esteira
pois folhas secas
se espalham no chão

Não acendas
a tocha
que a lua de ontem
já surge no céu

Não me digas,menino que não há vinho:
dá-me um copo, que beberei
entre estes montes verdes. (Han Ho-1543-1605)

—–
Obs: para você que estára em São Paulo(SP) até dia 30 nov. poderá conferir a exposição sobre o Hangul de dom á dom até 30 nov. na ‘Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura’ av.paulista,37 prox.metrô Brigadeiro