Elegia para Safo

safo
"Charles August Mengin- retrata Safo no leito de morte(1867)"

“a morte não é um bem
os própios deuses o sabem

eles preferiram viver”

( Safo de Lesbos )

Se com agre vinho saúdam corjas;
Que evocam em tua lânguida postura,
Pelos desprazeres de vã ternura:
A lírica do teu calvário em rosas!

Que sejas, ó Safo, para ti alento,
O fremir dos teus excertos fecundos!
No anuviar dos transbordos entre mundos,
Guarda em teu seio, eficacíssimo ungüento!

Vislumbro-a, ó Safo, como alma cerviz,
Que enfadou dos deuses em tolo matiz,
E agora, na íris, foco-te em ardor!

Que conspiraria: todo o Olimpo à favor,
Vestir mortalidade! Se emanar:
Por Lesbos, nos lábios ao aconchegar!

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Fado Atroz(Soneto dedicado a Zé do Caixão)

Zé do Caixão-coffin Joe
Zé do Caixão-coffin Joe

Lá vem encarnado em manto atro
Os vestíbulos da aurora bestial
Jorram as pragas num delírio anormal
Arrebatando egos ao jugo tártaro

Cedeu o lugar da’lma ao betume
A epífora amargurada de Josefel
Há de crivar na idolatria seu fel
Na busca pelo súpero perfume

Da fêmea em seu eugênico papel
Acima da metafísica o EU
Jazei inexorável Zé és brado infamo

Metamorfoseando um algoz cruel
Ostenta as insígnias de quem
O status quo de encarnar o diabo!